A situação do banqueiro Daniel Vorcaro pode enfrentar um novo obstáculo no Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos meses. Após ter sua segunda proposta de colaboração premiada rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), além de ver a manutenção da prisão de seu pai pela Segunda Turma da Corte, Vorcaro pode ser impactado por uma mudança significativa na dinâmica interna do colegiado responsável por analisar o caso Master.
Em agosto, o ministro Gilmar Mendes deixará a presidência da Segunda Turma do STF, sendo substituído pelo ministro Luiz Fux, que assumirá o comando do colegiado por um ano. Essa mudança ocorre em um momento crucial para as investigações conduzidas pelo ministro André Mendonça, relator dos processos relacionados ao caso Master, e pode influenciar diretamente a tramitação dos julgamentos envolvendo a família Vorcaro.
A alteração no comando da Segunda Turma pode modificar o equilíbrio interno do colegiado. Luiz Fux é visto como um dos ministros mais alinhados aos entendimentos de André Mendonça nas investigações, enquanto Gilmar Mendes tem questionado prisões preventivas e comparado o caso Master com a Operação Lava-Jato. Com a troca de comando, Mendonça pode contar com um ambiente mais favorável na organização da pauta de julgamentos.
A mudança também retira de Gilmar Mendes a prerrogativa de definir os processos que serão levados ao plenário da Turma. Recentemente, o ministro incluiu de última hora na pauta a análise das prisões preventivas de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo de Daniel Vorcaro. Essa decisão foi contestada por André Mendonça, que reagiu com firmeza às comparações feitas por Gilmar Mendes entre o caso Master e a Lava-Jato.
O papel do ministro Kassio Nunes Marques pode ser fundamental nas próximas deliberações, pois ele tem acompanhado os votos do relator em temas centrais da investigação. Além disso, a expectativa é que André Mendonça mantenha Daniel Vorcaro em uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal, apesar da pressão interna para que o banqueiro seja transferido para outro local de custódia.
A composição da Segunda Turma permanecerá a mesma, com os ministros André Mendonça, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli. No entanto, a participação de Toffoli nos processos relacionados ao caso Master continua suspensa, o que pode criar uma situação peculiar dentro da Segunda Turma, com apenas quatro ministros aptos a votar e aumentando as possibilidades de empate em julgamentos futuros.
Fonte original: https://agendadopoder.com.br/mudanca-no-comando-da-segunda-turma-do-stf-pode-dificultar-estrategia-de-defesa-de-vorcaro/

