A recente pesquisa do Datafolha trouxe uma visão mais clara sobre a corrida presidencial, desafiando a estratégia adotada pela campanha de Flávio Bolsonaro. O senador e pré-candidato à presidência tem apostado em uma abordagem que busca reorganizar a disputa em torno da figura de Donald Trump, da segurança pública e de uma guerra moral relacionada à soberania. No entanto, os resultados da pesquisa mostram que essa estratégia pode não estar surtindo o efeito desejado.
De acordo com o Datafolha, Lula mantém a liderança nas intenções de voto, com 41% no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 31%. Já no segundo turno, Lula tem 47% contra 43% de Flávio Bolsonaro. Esses números não eliminam a competitividade do senador, mas indicam que a estratégia bolsonarista de explorar a figura de Trump e a segurança pública como temas centrais não está produzindo a virada de ambiente que a campanha esperava.
A campanha de Flávio Bolsonaro tem tentado deslocar o centro do debate, apostando mais fortemente em uma pauta de segurança linha-dura, com a defesa de classificar organizações como o PCC e o Comando Vermelho como terroristas. No entanto, essa abordagem abre um flanco para críticas sobre ameaça à soberania nacional e risco de intervenção estrangeira em assuntos internos do Brasil. Lula tem explorado esse tema, tratando a proposta como uma ameaça à autonomia do país.
Além disso, a pesquisa mostra que o apoio de Trump pode ter um efeito limitado na ampliação do alcance de Flávio Bolsonaro fora do eleitorado já convertido. Para 65% dos brasileiros, a bênção do presidente dos Estados Unidos seria indiferente na hora do voto, enquanto 15% dizem que teriam menos vontade de votar em um candidato apoiado por Trump. Isso reforça a ideia de que a aposta em Washington pode cristalizar rejeição em vez de abrir caminho para o centro.
A marca “Tariflávio” e o termo “Bolsomaster” também são utilizados para associar o bolsonarismo a pressões comerciais dos Estados Unidos contra o Brasil e manter vivo o elo entre Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e o caso Master. Esses temas são explorados por Lula para manter a pressão sobre o adversário e transformar os ativos da campanha de Flávio Bolsonaro em passivos eleitorais.
Em resumo, a pesquisa Datafolha não apenas traz uma fotografia numérica da corrida presidencial, mas também expõe a dificuldade operacional da campanha de Flávio Bolsonaro. A direita tenta trocar desgaste por radicalização, Vorcaro por Trump e soberania por guerra cultural, mas até agora, Lula parece estar mais bem posicionado para definir os termos da disputa e transformar os ativos do adversário em passivos eleitorais.

