Apesar de estar entre os esportes que mais renderam títulos mundiais ao Brasil, o bodyboarding continua enfrentando dificuldades para captar recursos, manter projetos e garantir a permanência de atletas em competições de alto rendimento.
O tema ganhou destaque durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (18), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), para discutir o incentivo aos esportes praticados no mar e o papel dessas atividades na inclusão social, na saúde e na formação de atletas.
A principal explicação apontada por dirigentes da modalidade é a ausência do esporte no programa olímpico, fator que limita o acesso a investimentos públicos e privados.
Promovido pela Comissão de Esporte e Lazer e pela Frente Parlamentar pela Humanização e Atenção dos Atendimentos nos Serviços Públicos em Geral, o encontro reuniu atletas, dirigentes e representantes de entidades esportivas.
Ao final da reunião, foi anunciada a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para aprofundar o debate e formular propostas voltadas ao setor.
Títulos mundiais e falta de recursos
A situação do bodyboarding foi uma das principais preocupações apresentadas durante a audiência. A vice-presidente da Confederação Brasileira de Bodyboarding, Nicole Calheiros, afirmou que a exclusão do programa olímpico tem impacto direto sobre a sustentabilidade da modalidade.
“Eu vejo atletas excelentes desistindo das suas modalidades, federações desistindo e associações fechando pela falta de incentivo. Uma reunião como essa é tão importante para o esporte porque aqui podemos constituir um legado para as futuras gerações”, declarou.
Segundo Nicole, o cenário cria uma contradição: enquanto o Brasil acumula títulos mundiais no bodyboarding, atletas e entidades encontram dificuldades para manter projetos esportivos e formar novas gerações.
Debate sobre políticas públicas
O coordenador da frente parlamentar, deputado Danniel Librelon (Republicanos), destacou que o objetivo da audiência foi discutir caminhos para ampliar o apoio aos esportes marítimos e fortalecer políticas públicas voltadas ao setor.
“O mar tem um significado muito especial para o povo do Rio de Janeiro. Ele faz parte da nossa identidade, da nossa cultura, da nossa economia e também da nossa forma de viver”, afirmou.
Durante o encontro, representantes de diferentes modalidades defenderam que os critérios de incentivo ao esporte levem em consideração não apenas a presença em competições olímpicas, mas também os resultados esportivos, o alcance social e o potencial de formação de atletas.
A audiência também discutiu o papel dos esportes marítimos como ferramenta de inclusão social.
O presidente da Federação de Canoagem Havaiana (Va’a) do Estado do Rio de Janeiro, Angelo Mendes, ressaltou a necessidade de ampliar parcerias entre o poder público e a iniciativa privada.
“A gente precisa, através das audiências e das parcerias, trazer tanto o poder público quanto a iniciativa privada para olhar por nós. O que buscamos é que nossas modalidades sejam agentes transformadores para as pessoas”, afirmou.
A vice-presidente da Associação Canoas do Rio de Janeiro, Alessandra Lincom, destacou a importância dessas atividades para pessoas com deficiência, mas observou que ainda existem obstáculos para ampliar o acesso ao esporte.
“Enfrentamos muitos desafios para que esses atletas consigam chegar até o esporte. Mas, quando conseguimos oferecer estrutura, vemos o quanto essa prática transforma vidas, promove saúde, inclusão e cidadania”, disse.
Potencial do Rio em discussão
Outro ponto abordado foi o potencial da Baía de Guanabara para o desenvolvimento de modalidades náuticas e esportes praticados no mar.
Carlos Eduardo Furtado, fundador e representante da Associação Niteroiense de Va’a (ANVAA), defendeu maior aproveitamento da estrutura natural existente no estado.
“A gente tem uma baía urbana que poucas regiões no mundo têm. Precisamos reconhecer esse ativo gigantesco, organizar isso e transformar esse potencial em benefício da sociedade”, afirmou.
A expectativa dos participantes é que o Grupo de Trabalho anunciado pela Alerj contribua para a construção de propostas capazes de ampliar o apoio aos esportes marítimos. No caso do bodyboarding, a reivindicação central é que o histórico de conquistas internacionais seja considerado na formulação de políticas públicas, independentemente de a modalidade integrar ou não o programa olímpico.

