O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo no Congresso Nacional, reagiu nesta quinta-feira (18) às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga suspeitas envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
O embate ocorreu após Flávio associar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao caso investigado pela PF, que resultou na apreensão de dólares e euros em endereços ligados a Wagner. A investigação tramita sob autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Defesa da autonomia da PF
Em publicação nas redes sociais, Lindbergh afirmou que a operação demonstra a independência da Polícia Federal durante o governo Lula e rebateu as críticas feitas pelo senador fluminense.
“No governo do presidente Lula, a PF tem autonomia para investigar qualquer pessoa. Não existe blindagem, investigação seletiva ou perseguição política”, escreveu o parlamentar.
A declaração reforça um discurso adotado por integrantes do governo federal desde o início das investigações relacionadas ao Banco Master. Em abril deste ano, o diretor-executivo da PF, William Murad, afirmou que a corporação possui “total e ampla autonomia” para conduzir as apurações sobre o caso.
Lindbergh também comparou a atuação da Polícia Federal nos governos de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A diferença é que, no nosso governo, a PF trabalha com independência. Já Bolsonaro tentou interferir na instituição para proteger a própria família, episódio que levou à saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça em meio às investigações envolvendo você, Flávio, no caso das rachadinhas. O próprio Jair Bolsonaro revelou a lógica do seu governo quando disse que trocaria quem fosse necessário porque não deixaria a PF ‘foder a família’ dele. Esse é o contraste: com Lula, a PF investiga com autonomia; com Bolsonaro, houve interferência para blindar você.”
Troca de acusações sobre Banco Master
O deputado petista ampliou o confronto ao questionar Flávio Bolsonaro sobre supostos recursos vinculados ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O tema se soma a uma série de disputas políticas em torno das investigações que envolvem a instituição financeira.
Nos últimos meses, o próprio Lindbergh apresentou representações à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República relacionadas ao Banco Master, defendendo o aprofundamento das investigações sobre operações financeiras e possíveis irregularidades envolvendo a instituição.
Mais cedo, Flávio havia ironizado uma declaração feita por Lula durante a cúpula do G7.
“Ontem, Lula disse que não era esquerdista. Hoje é capaz de dizer que não conhece Jaques Wagner, líder do governo Lula”, escreveu o senador.
O que investiga a Operação Compliance Zero
A Polícia Federal apura suspeitas de que Jaques Wagner tenha recebido pagamentos relacionados ao Banco Master por meio de uma empresa ligada à esposa de seu enteado. Os investigadores também analisam a compra de um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões.
Durante o cumprimento dos mandados, agentes apreenderam US$ 49 mil em espécie no hotel onde Wagner estava hospedado, em Brasília. Também foram encontrados 33,5 mil euros e US$ 6.175 em outros endereços vinculados ao senador na Bahia. Somados, os valores correspondem a aproximadamente R$ 471 mil.
As investigações seguem em andamento e, até o momento, não houve decisão judicial definitiva sobre as suspeitas apuradas pela PF.

