
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manifestou apoio ao líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), alvo de uma operação da Polícia Federal sob suspeita de ter recebido pagamentos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Ele afirmou que o caso deve seguir os trâmites legais antes de qualquer julgamento.
“Meu apoio, minha solidariedade integral a um colega senador da República. Tenho a convicção que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas. Um dia elas serão julgadas, é lá nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada”, disse Alcolumbre.
O presidente do Senado declarou que todas as pessoas devem ser consideradas inocentes até uma eventual condenação definitiva. “Ninguém nesse país pode ser condenado antes do trânsito em julgado. E todos nesse país podem ser investigados. Isso é normal no Estado democrático de Direito, mas todos também têm que ter a presunção da inocência”, afirmou.
Alcolumbre também criticou o que classificou como condenações antecipadas no ambiente político. “Só temos um problema: está todo mundo culpado até que se prove o contrário. Isso é muito triste para a democracia e para a política nacional. Todo mundo é culpado e condenado antes de ser julgado”, completou.
Ele disse respeitar a atuação da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça, “mas a gente precisa ter a compreensão de que esse mantra de que todo mundo é culpado até que se prove que é inocente está errado”.

A manifestação ocorreu apesar do distanciamento entre Alcolumbre e Jaques Wagner desde novembro do ano passado, após o presidente Lula indicar Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Na terça (16), quando respondeu no plenário a suspeitas de ligação com o Banco Master e barrou tentativas de instalação de uma CPI sobre o caso, ele recebeu manifestações de apoio de senadores governistas e de oposição, entre eles Wagner.
Na ocasião, o senador petista citou reportagem da revista Veja baseada em uma delação inexistente. “Estamos entre o absurdo e o superabsurdo. O absurdo é de uma delação que ninguém sabe o que tem dentro dela, a não ser aqueles que inquiriram o senhor Daniel Vorcaro e, que levianamente, ilegalmente, vazam a matéria, como vazaram no tempo da Lava Jato”, disse.
Após a operação contra Jaques Wagner, Alcolumbre cancelou a sessão do Congresso prevista para analisar vetos, alegando falta de acordo entre líderes e quórum baixo.

