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‘O parlamento não pode ser ocupado por figuras dessa estirpe’, diz PGJ após operação contra políticos no Rio; vídeo

O procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, afirmou nesta quinta-feira (18) que a investigação que mira o deputado estadual Val Ceasa (PRD), o ex-vereador Ulisses Marins (União Brasil) e um ex-assessor parlamentar por suposta ligação com o Terceiro Comando Puro (TCP) evidencia uma “degradação” do ambiente político fluminense.

A declaração foi dada após operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e da Polícia Civil, que apreendeu cerca de R$ 340 mil em espécie, armas de fogo e equipamentos eletrônicos durante o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão.

Expresso RioDinheiro apreendido pelo MPRJ | Divulgação

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Dinheiro apreendido na ação | Divulgação

“Esse quadro é extremamente preocupante porque a preservação do Estado Democrático de Direito, a preservação da democracia exige instituições fortes e não se pode aceitar que o parlamento seja ocupado por figuras dessa estirpe”

Antonio José Campos Moreira, procurador-geral de Justiça do Rio

Veja o vídeo

🚨 AÇÃO CONTRA VAL CEASA | ‘Não se pode aceitar que o parlamento seja ocupado por figuras dessa estirpe’, disparou Antonio José Campos Moreira.

Crédito: Divulgação pic.twitter.com/yKj2JA6dpq

— Agenda do Poder (@agendadopoder) June 18, 2026

Segundo o chefe do MPRJ, a ação é resultado de uma investigação conduzida pelo gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça em conjunto com a polícia para esclarecer o possível envolvimento dos agentes públicos com a organização criminosa que atua em comunidades da Zona Norte do Rio.

Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. As diligências ocorreram na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na Ceasa e em outros endereços na capital fluminense e no Espírito Santo.

Início das investigações

De acordo com Moreira, a investigação teve início após a atuação do deputado estadual e do então vereador para impedir a demolição de imóveis ligados ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como líder do TCP. As construções, localizadas em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, ficaram conhecidas como “resort do crime” ou “Resort do Peixão”.

Expresso RioVal Ceasa (de branco) e o ex-vereador do Rio Ulisses Marins | Reprodução

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Val Ceasa (de branco) e o ex-vereador do Rio Ulisses Marins | Reprodução

“A investigação se iniciou a partir da intervenção deste parlamentar estadual e do, à época, vereador com o objetivo de impedir, de obstaculizar a demolição de imóveis utilizados por membros dessa organização criminosa”, afirmou o procurador-geral.

Segundo as investigações, os parlamentares teriam procurado a Polícia Militar para obter informações sobre uma operação sigilosa que previa a derrubada dos imóveis. A justificativa apresentada seria a de que as construções serviriam para ações sociais na comunidade. No entanto, as apurações do Ministério Público apontam que essa alegação não correspondia à realidade. A operação acabou sendo adiada.

Dinheiro e armas apreendidas

Durante o cumprimento dos mandados desta quinta-feira, os agentes apreenderam cerca de R$ 340 mil em espécie, além de armas de fogo e equipamentos eletrônicos. Na residência de Val Ceasa foram encontrados R$ 166 mil em dinheiro vivo, enquanto aproximadamente R$ 150 mil foram localizados em outros imóveis ligados ao parlamentar.

Também foram recolhidos cinco armas, munições, computadores, celulares e dispositivos de armazenamento de dados. O MP não esclareceu onde esse material estava.

O procurador-geral destacou que tudo será submetido a perícia para aprofundar as investigações.

“Num segundo momento, os dados constantes desses aparelhos informáticos serão extraídos e examinados. Tudo com o objetivo de esclarecer a participação desse parlamentar e de um ex-parlamentar na organização criminosa Terceiro Comando Puro”, afirmou.

Além dos alvos centrais da operação, Suelen Silva dos Reis, conhecida como Suelen Bacana, ex-mulher do ex-vereador Zico Bacana, morto em 2023, e seu companheiro Michael Jhonny Vianna de Azevedo, ex-assessor ligado ao deputado, foram presos em flagrante em Guadalupe, na Zona Norte do Rio, por posse ilegal de arma de fogo.

Expresso RioSuelen Silva dos Reis e Michael Jhonny Vianna | Reprodução / redes sociais

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Suelen Silva dos Reis e Michael Jhonny Vianna | Reprodução / redes sociais

Em sua manifestação, Antonio José Campos Moreira afirmou que o caso evidencia uma crescente infiltração do crime organizado na política fluminense. O procurador citou ainda a recente denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o então deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, acusado de integrar o Comando Vermelho.

“Esses fatos preocupam muito o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro porque revelam uma degradação que vem se tornando pública do ambiente político. Há alguns meses nós denunciamos e obtivemos a prisão preventiva de um deputado estadual reconhecidamente membro do Comando Vermelho, já registrando uma condenação a 14 anos de reclusão. Esse parlamentar envolvido com o Comando Vermelho e agora esse outro parlamentar objeto dessa nova investigação em tese supostamente envolvido com o Terceiro Comando Puro”, declarou.

O que diz o deputado?

Em frente à Alerj, Val Ceasa negou qualquer irregularidade e afirmou que sua atuação teve como objetivo defender a população da região. Segundo o deputado, ele chegou a pedir ao então prefeito naquela época, Eduardo Paes, que o espaço onde funcionava o chamado resort fosse transformado em uma Vila Olímpica.

“Eu fui no Eduardo Paes e pedi para fazer uma Vila Olímpica lá para dar dignidade ao povo. Aquilo está abandonado e o povo precisa”, declarou.

Em nota, a Alerj informou que acompanha a operação e reafirmou o compromisso da Casa com a transparência, colocando-se à disposição para colaborar com as investigações.

Já a Prefeitura do Rio esclareceu que a nomeação de Ulisses Marins para um cargo na Secretaria Municipal de Fazenda, em 2025, foi anulada após reprovação em análise realizada pela Secretaria de Integridade.