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Sakamoto: com Wagner, PF desmonta mimimi de que persegue bolsonaristas no caso Master

Expresso Rio
Senador Jaques Wagner. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Por Leonardo Sakamoto, publicado no UOL

A Polícia Federal cumpre hoje mandados de busca e apreensão contra Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, dentro da operação Compliance Zero, que investiga a roubalheira do Banco Master. Ele ê suspeito de ter recebido propina e vantagens para ajudar o banco. Isso desfaz a narrativa conveniente de que a PF estaria sendo usada como ferramenta de perseguição política contra aliados de Flávio Bolsonaro e a direita em geral.

O mimimi estava corrente. O caso mais comprometedor, até agora, tinha sido a mesada milionária do senador Ciro Nogueira, presidente do PP e aliado próximo do clã Bolsonaro, recebeu cascalho e viagens luxuosas para defender o Master. A direita, até agora, havia entregue um grande contingente de envolvidos. Entre os ex-governadores, Cláudio Castro (PL-RJ) está tendo que se explicar porque queimou bilhões dos aposentados do Estado no Master, enquanto Ibaneis Rocha (MDB-DF) busca formas de justificar os bilhões que evaporaram no Banco de Brasília.

O nome de Wagner já circulava na imprensa devido a negócios com o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima. Mas a demora para aparecer um nome do PT nas operações era usada para empacotar a investigação como mais um capítulo da guerra entre esquerda e direita.

O próprio presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que se defendeu publicamente ontem de suspeitas de ter recebido milhões de Vorcaro, estaria cobrando que o governo federal coloque uma coleira na PF e, enquanto isso, colocando-se ao lado da oposição bolsonarista no Senado. Lula já avisou que a instituição é livre para investigar em seu governo.

Wagner não é qualquer figura periférica do PT. É amigo do presidente, ex-governador da Bahia, foi sucedido por Rui Costa, que virou ministro da Casa Civil, e hoje exerce o papel estratégico de líder do governo no Senado. A relação de amizade entre Wagner e Lima não é novidade, ele admitiu que os dois se conheceram durante o processo de privatização de uma estatal responsável por uma rede de supermercados na Bahia. Agora, terá que dar explicações se essa amizade virou BO.

Expresso Rio
Fachada do Banco Master. Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

Ter o nome incluído como alvo de uma operação que investiga corrupção e lavagem de dinheiro, incluindo a suspeita de um apartamento de R$ 2,5 milhões que teria sido pago como propina, é o tipo de coisa que constrange qualquer campanha. A PF também determinou medidas cautelares de proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaportes, as mesmas ferramentas que já foram aplicadas em fases anteriores.

A Polícia Federal investiga também se Wagner tentou ajudar o trâmite da proposta de mudança na Constituição apresentada por Ciro Nogueira que favoreceria o Banco Master favoreceria o extinto banco de Daniel Vorcaro ao ampliar o buraco a ser coberto pelo FGC. Tenho repetido feito um papagaio com câimbra, neste espaço, que a investigação sobre o Banco Master tem potencial para produzir um Armagedom na política. E é por isso que ela precisa continuar, não para abrir um espaço para o fascismo antipolítica, mas para depurar a própria política para evitar o descrédito da população.

Não à toa, há tanta gente tentando dificultar que ela chegue ao fim. O próprio Vorcaro aposta nisso, uma vez que atrasa sua delação premiada esperando um resgate, seja no STF, seja em um hipotético governo Flávio Bolsonaro.

O primogênito do clã não se tornou alvo de investigação após o Intercept Brasil revelar que ele pediu e recebeu R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro, em tese, para um filme sobre a vida de seu pai. Mas a PF investiga se parte da grana bancou Eduardo Bolsonaro nos EUA enquanto ele traía o país, incitando Trump contra o Brasil. O ex-deputado federal foi condenado pelo STF a quatro anos pelo crime.