Contexto Expresso Rio: Lula e o senador Jaques Wagner. Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalhava com a possibilidade de que o escândalo do Banco Master atingisse integrantes de seu entorno político, especialmente nomes…
Por que importa: A reportagem foi organizada e contextualizada para facilitar a compreensão dos fatos e seus possíveis impactos para os leitores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já trabalhava com a possibilidade de que o escândalo do Banco Master atingisse integrantes de seu entorno político, especialmente nomes ligados à Bahia. A avaliação passou a circular no Palácio do Planalto antes da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (18).
A operação teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado e aliado histórico de Lula. O parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo aliados e ministros do governo, Lula adotou internamente o discurso de que a Polícia Federal deve atuar sem interferência e que qualquer pessoa sob suspeita precisa prestar esclarecimentos e responder por eventuais irregularidades. A posição teria sido reforçada desde que começaram a surgir na imprensa indícios de possível envolvimento de Wagner no caso.
A mesma linha já havia sido usada pelo presidente ao comentar menções a seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, em investigações ligadas ao escândalo do INSS. Em entrevista ao Uol, Lula afirmou que o filho teria que “pagar o preço” caso alguma responsabilidade fosse comprovada.

De acordo com relatos de interlocutores, o presidente chegou a conversar diretamente com Jaques Wagner sobre o avanço das apurações. Na ocasião, o senador teria tentado tranquilizá-lo, afirmando que não teria envolvimento direto nas fraudes financeiras investigadas pela PF.
A nova fase da Compliance Zero é vista no governo como um fator de desgaste político para Lula em meio ao cenário eleitoral. Aliados avaliam que o caso pode reduzir a vantagem que o presidente tinha sobre adversários em temas relacionados a suspeitas de irregularidades.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair Bolsonaro, apareceu em áudios pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente. Com Wagner agora no centro de uma operação da PF, integrantes do Planalto reconhecem que Lula também terá de responder politicamente sobre o avanço das investigações.
Um integrante do núcleo mais próximo do governo afirmou que Lula, ao ser alertado sobre a possibilidade de o caso Master atingir aliados, repetiu “mais de dez vezes” que não queria interferir e que a PF deveria fazer o que precisava ser feito.
O presidente também tem dito a aliados que, mesmo que pessoas próximas a ele, como Jaques Wagner ou Guido Mantega, sejam citadas no caso, foi em seu governo que o Banco Central e a Polícia Federal investigaram as fraudes, determinaram a liquidação do Master e prenderam Daniel Vorcaro.
As investigações sobre o Banco Master começaram com a suspeita de criação de carteiras de crédito sem lastro e emissão de títulos fraudulentos. Com o avanço das apurações, a PF passou a mirar também supostos pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos e relações políticas mantidas por Vorcaro.
No caso de Jaques Wagner, a operação busca aprofundar elementos envolvendo pagamentos feitos a uma empresa ligada a familiares do senador e sua relação com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. O senador já afirmou não ter “conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.

