
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, Eduardo Bolsonaro voltou a pedir publicamente que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplique sanções contra autoridades brasileiras. Em vídeo gravado de dentro de um carro, nos EUA, o ex-deputado pediu a retomada da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.
“Presidente Trump, por favor, volte com a Lei Magnitsky Global. Esses caras são violadores de direitos humanos”, afirmou Eduardo. Ele também disse contar com aliados no exterior para pressionar o Brasil. “Então é hora de limpar a bagunça no Brasil. E nós contamos com nossos aliados no exterior”.
A nova manifestação ocorre após a condenação imposta pela Primeira Turma do STF. Além da pena de prisão, o terceiro filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado ao pagamento de multa de R$ 162,1 mil. A Corte também declarou sua inelegibilidade por oito anos e determinou a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal.
O processo teve origem em denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusou Eduardo de atuar nos Estados Unidos para articular sanções contra autoridades brasileiras e pressionar o Judiciário. Segundo a acusação, a ofensiva buscava interferir no julgamento da trama golpista que condenou Jair Bolsonaro.
No vídeo, o “Zero Três” afirmou que foi condenado por sua atuação junto a autoridades estadunidenses. “Ontem, a Suprema Corte do Brasil me condenou a mais de quatro anos de prisão. Por quê? Porque um ministro do Supremo Tribunal Federal, que também foi um dos cinco que me condenaram, disse que, quando Trump o sancionou por violações de direitos humanos, isso é um ataque contra o Brasil”.
🇧🇷🇺🇸NO FILTER
My quick video explains what is happening in Brazil after yesterday’s conviction by Brazil’s Supreme Court, sentencing me to 4 years and 2 months in prison for denouncing human rights violator Alexandre de Moraes.
Watch it.
Share it.
The world needs to know what… pic.twitter.com/PW5KfGuUPf— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) June 17, 2026
O ex-deputado negou que as sanções representem ataque ao país e voltou a citar Alexandre de Moraes. “Não, não, não. Isso não é um ataque contra o Brasil”, disse. Na sequência, afirmou que Moraes seria alvo por decisões envolvendo a Starlink, o empresário Jason Miller e cidadãos estadunidenses.
Eduardo também questionou a validade do processo e afirmou que não reconhece a condenação. Ele disse viver em Dallas, no Texas, e alegou que não foi citado formalmente pelas autoridades brasileiras. “Tudo que eu sei sobre esse caso vem pela imprensa”, afirmou.
Mesmo condenado e inelegível, o ex-deputado disse que não pretende interromper sua atuação política nos Estados Unidos. “Eu nunca vou parar”, declarou. Ele afirmou ainda que a condenação seria uma resposta ao trabalho que diz realizar no exterior. “Se eles estão me condenando, é porque eu ainda estou fazendo um grande trabalho”.
Agora foragido da Justiça, ele também defendeu a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026. Segundo ele, a vitória do irmão serviria para restabelecer relações com os Estados Unidos e outros países. “Nós vamos eleger em outubro Flávio Bolsonaro presidente do Brasil”, afirmou.
A situação jurídica de Eduardo passou a ser um problema adicional para seus planos eleitorais. A manutenção de seu nome como suplente em uma eventual chapa pode abrir uma nova disputa na Justiça Eleitoral, já que a condenação no STF pode enquadrá-lo na Lei da Ficha Limpa.
Eduardo vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. No processo no STF, não indicou advogados, foi representado pela Defensoria Pública da União e não compareceu aos interrogatórios. A defesa alegou que o processo deveria ser anulado e que a intimação deveria ter ocorrido por carta rogatória.

