
O policial federal Anderson Wander, apontado pela Polícia Federal como integrante da estrutura armada ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, foi flagrado com 1,2 mil munições, sendo 182 de fuzil, e cinco armas. Segundo a corporação, apenas uma delas era funcional da PF. Wander não atuava em áreas operacionais ou investigativas da polícia.
Segundo o Estadão, as informações foram enviadas pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF) neste mês. Wander foi preso preventivamente no mês passado, na mesma operação que levou à prisão Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master.
O arsenal foi apreendido na casa do policial e em seu armário no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, onde ele trabalhava. Entre os itens apreendidos, os investigadores destacaram uma arma com numeração raspada e sem registro no Estado brasileiro, o que dificultaria seu rastreamento em eventual uso criminoso.
“Anderson possuía em sua posse uma arma de fogo tida como ‘não existente’ e de caráter irrastreável pelo Estado. Vale dizer, capaz de ser utilizada em qualquer ação criminosa com a segurança e a certeza de que os órgãos de persecução penal jamais conseguiriam vincular o uso do armamento ao policial federal ou à pessoa que eventualmente o utilizasse”, afirmou a PF ao STF.
Na decisão que determinou a prisão preventiva de Anderson Wander, em maio, o ministro André Mendonça, do STF, citou manifestações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre a atuação do agente. Para a Procuradoria-Geral da República, Wander integrava o “braço policial informacional” da organização investigada.
A PF sustenta que o policial realizava consultas indevidas em sistemas internos da corporação em favor de Vorcaro, em troca de dinheiro. A investigação aponta suspeitas de repasse de dados sigilosos, uso do cargo para sondagens, recebimento de vantagens econômicas e presentes, levantamento de informações de interesse do banqueiro e colaboração em ações de monitoramento e perseguição a alvos do grupo.

Contratações de infiltrados
Relatórios preliminares da Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, usava intermediários para pagar R$ 400 mil por mês a um grupo formado por policiais, milicianos e bicheiros. O objetivo, segundo a corporação, era obter informações sigilosas, monitorar investigações e intimidar pessoas consideradas desafetas do banqueiro.
As conclusões constam de documentos da Operação Compliance Zero, tornados públicos pelo ministro André Mendonça na última terça-feira (16). De acordo com a PF, o grupo conhecido como “A Turma” era liderado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e atuava sob coordenação de Felipe Mourão, chamado de “Sicário” nas conversas apreendidas.
Ainda segundo a investigação, Felipe Mourão e Henrique Vorcaro eram operadores financeiros responsáveis por parte dos pagamentos ao núcleo. A PF afirma que o grupo levantava informações sobre inquéritos e processos judiciais, inclusive sigilosos, acessava sistemas restritos e intimidava pessoas vistas como ameaça a Vorcaro.
Até o momento, os investigadores identificaram como integrantes do grupo os policiais federais Marilson Roseno da Silva, Sebastião Monteiro Júnior e Anderson Wander da Silva Lima, além do operador do jogo do bicho Manoel Mendes Rodrigues. A PF afirma haver indícios de outros quatro a seis integrantes ainda não identificados.

