O tiro disparado pelo vereador Marcelo Diniz (PSD) contra a própria legenda, na semana passada — com criticas à Secretaria de Saúde e a Daniel Soranz —, segue rendendo desdobramentos — e mostrando que um pedido de desculpas não sara as feridas abertas. O episódio serviu de munição para o líder do PL no velho Palácio Pedro Ernesto, Rogério Amorim (PL), que encaminhou uma representação ao Ministério Público Eleitoral (MPE) pedindo a apuração de uma acusação feita pelo próprio parlamentar governista.
Durante o discurso que provocou a crise no PSD, no último dia 9, Diniz afirmou que servidores e profissionais ligados à rede municipal de saúde estariam sendo convocados para participar de eventos políticos com a promessa de receber folgas como contrapartida. Na fala, o parlamentar afirmou possuir mensagens que comprovariam a suposta mobilização.
A representação encaminhada ao MPE pede a abertura de procedimento para apurar possíveis irregularidades envolvendo o uso da estrutura da máquina pública em atividades supostamente de caráter político-eleitoral. Segundo Amorim, as declarações feitas por Diniz em plenário são graves o suficiente para justificar uma investigação formal, especialmente por terem sido feitas por um vereador da própria base governista e integrante do mesmo partido do ex-secretário.
O documento protocolado pela oposição pede a investigação de suposto abuso de poder político e prática de improbidade administrativa. A representação cita especificamente dois encontros de mobilização política: um realizado em Campo Grande, no dia 30 de maio, e outro no CCIP de Pilares, no dia 11, dentro do circuito “Vamos Debater a Saúde do Estado do Rio”, divulgado nas redes de Soranz. Além de citar Soranz, a representação menciona o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao Governo do Estado, que participou de um dos eventos citados.
Entre as medidas solicitadas ao MPE estão a preservação de provas e a requisição de documentos relacionados a escalas de trabalho, plantões, folgas e compensações concedidas a profissionais da rede municipal. O vereador também pede a identificação dos participantes dos eventos, além da preservação de mensagens, e-mails, listas de presença e outros registros de comunicação relacionados às atividades.
“É fundamental que os fatos sejam apurados com rapidez para evitar o desaparecimento de provas e verificar se houve uso da máquina pública em benefício eleitoral”, afirmou Amorim.
A representação solicita ainda que o órgão recomende à prefeitura e às Organizações Sociais (OSs) que se abstenham de conceder folgas, compensações ou qualquer outro benefício funcional vinculado à participação de servidores em eventos de natureza político-eleitoral.
Relembre a polêmica
Na sessão que deu origem ao caso, Marcelo Diniz subiu à tribuna para acusar Soranz de manter o controle sobre as decisões da Secretaria Municipal de Saúde mesmo após ter deixado a pasta para retomar seu mandato como deputado federal. O parlamentar relatou desabastecimento de remédios em clínicas da família e acusou o correligionário de direcionar serviços da secretaria para autopromoção eleitoral.
Em ataque considerado homofóbico pelos pares, o edil chegou a se referir ao colega de partido como “bicha pão com ovo”. “Secretário, você é um vagabundo. Você tá mexendo com a pessoa errada. Aqui tem homem! Eu sou vereador da cidade e sou homem. Você entrou numa guerra que você não vai vencer. Nem a própria classe da saúde vota em você, ninguém gosta de você. Bicha, pão com ovo!”, disse o edil, que chegou a se desculpar na tribuna e emitir um comunicado de retratação.
O ataque, é claro, repercutiu entre os nobres da oposição e segue rendendo novos capítulos.

