A atividade econômica brasileira voltou a registrar crescimento em abril, após a queda observada no mês anterior. Dados divulgados nesta quarta-feira (17) pelo Banco Central mostram que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou 0,5% na comparação com março, já descontados os efeitos sazonais.
O resultado foi impulsionado principalmente pelo desempenho dos setores industrial e de serviços, enquanto a agropecuária permaneceu estável no período. A recuperação ocorre depois de um recuo de 0,7% registrado em março em relação a fevereiro.
Apesar da oscilação mensal, o desempenho acumulado indica que a economia brasileira segue em trajetória positiva. No trimestre encerrado em abril, o avanço foi de 1,2%, reforçando sinais de resiliência da atividade econômica mesmo em um ambiente de juros elevados.
Indústria e serviços sustentam crescimento
Os dados setoriais mostram que a indústria foi um dos principais motores da expansão registrada em abril, com crescimento de 0,4% em relação ao mês anterior.
O setor de serviços, responsável pela maior parcela da economia brasileira, também apresentou resultado positivo, avançando 0,3%.
Já a agropecuária não registrou variação no período, permanecendo estável.
O cálculo divulgado pelo Banco Central utiliza ajuste sazonal, metodologia que elimina efeitos típicos de determinados períodos do ano e permite comparações mais precisas entre meses consecutivos.
Indicador é considerado prévia do PIB
O IBC-Br é acompanhado de perto por economistas, investidores e autoridades monetárias por funcionar como uma espécie de termômetro da atividade econômica nacional.
Embora não substitua o Produto Interno Bruto calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador reúne informações dos principais setores produtivos e costuma servir como sinalizador antecipado da direção da economia.
Além de monitorar o ritmo de crescimento do país, o Banco Central utiliza os dados do IBC-Br como uma das referências para suas decisões de política monetária, especialmente nas discussões sobre a taxa básica de juros, a Selic.
O PIB, por sua vez, representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país durante determinado período e é considerado o principal indicador da atividade econômica.
Comparação anual mostra avanço moderado
Na comparação com abril do ano passado, o IBC-Br apresentou crescimento de 0,9%.
Já no acumulado de 12 meses, a alta foi de 1,6%.
Considerando apenas os quatro primeiros meses do ano, a expansão chega a 1,3%.
Nesses casos, os cálculos foram realizados sem ajuste sazonal.
Os números reforçam a avaliação de que a economia continua crescendo, embora em ritmo mais moderado do que o observado em anos anteriores.
Mercado prevê desaceleração em 2026
Apesar dos resultados positivos registrados até o momento, economistas continuam projetando uma desaceleração da atividade econômica ao longo deste ano.
Entre os fatores apontados estão os juros elevados, mantidos pelo Banco Central como instrumento de combate à inflação, e o nível ainda elevado dos preços ao consumidor.
Esses elementos são vistos como obstáculos para a expansão do crédito, dos investimentos e do consumo das famílias.
Em 2025, a economia brasileira registrou crescimento de 2,3%.
O governo federal trabalha com a expectativa de repetir um desempenho semelhante, mas as projeções do mercado financeiro são mais conservadoras.
Estimativas do Banco Central e de instituições financeiras apontam crescimento em torno de 1,6% para este ano, abaixo do resultado registrado anteriormente.
FMI prevê retorno do Brasil ao grupo das dez maiores economias
Mesmo diante da perspectiva de desaceleração, o cenário internacional traz avaliações positivas para a posição brasileira na economia global.
Em relatório divulgado em abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou sua projeção para o crescimento do Brasil e indicou que o país poderá retornar ao grupo das dez maiores economias do mundo.
A estimativa da instituição passou para 1,9%, um aumento de 0,3 ponto percentual em relação à previsão divulgada no início do ano.
O FMI também destacou que o contexto geopolítico internacional poderá favorecer a economia brasileira.
Segundo a análise, o Brasil tende a se beneficiar por ser exportador líquido de energia em um cenário de tensões no Oriente Médio, que tem potencial para elevar os preços internacionais do petróleo.
“Espera-se que a guerra tenha um pequeno efeito líquido positivo em 2026, devido ao fato de o país ser um exportador líquido de energia, impulsionando o crescimento em cerca de 0,2 ponto percentual”, diz trecho do documento.

