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Moraes não cometeu crime, diz Vorcaro em proposta de delação

Expresso Rio
Alexandre de Moraes, ministro do STF. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

A nova proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro alega que os pagamentos realizados pelo Banco Master ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, decorreram de serviços advocatícios e não envolveram irregularidades. A informação é da coluna de Natália Portinari no UOL.

O documento descreve um contrato de R$ 129 milhões, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões, além de mencionar um segundo contrato de R$ 50 milhões que não chegou a ser formalizado. Segundo a proposta, o escritório recebeu R$ 80,2 milhões antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central em 2025.

Fontes ligadas à negociação da delação afirmam que o trecho referente a Moraes foi incluído como um “anexo negativo”, expressão usada para indicar que o delator não aponta crime ou conduta irregular por parte do ministro.

A colaboração também diz que Moraes não deu qualquer contrapartida ou praticou ato de ofício em troca dos pagamentos. A versão apresentada por Vorcaro alega que os valores pagos à esposa do magistrado estariam vinculados exclusivamente à prestação de serviços jurídicos.

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O banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

Apesar das novas informações, a Polícia Federal considerou a proposta fraca e avalia deixar pela segunda vez as negociações da colaboração. A Procuradoria-Geral da República (PGR) deverá decidir nos próximos dias se continua as tratativas, aceita o acordo ou rejeita a proposta.

O documento também faz referência a mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes antes da prisão do ex-banqueiro, ocorrida em 17 de novembro de 2025. Em uma das conversas reveladas, Vorcaro escreveu: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.

Investigadores suspeitam que informações sobre a ordem de prisão e a liquidação do Banco Master tenham chegado a Vorcaro antes do cumprimento das medidas. Moraes negou ter recebido as mensagens de visualização única atribuídas ao banqueiro e divulgadas anteriormente pela imprensa.

A avaliação predominante entre investigadores é que a nova proposta acrescenta poucos elementos em relação ao material já reunido pela Polícia Federal. Também existem dúvidas sobre a disposição de Vorcaro em admitir parte dos crimes investigados e sobre sua capacidade de ressarcir os cerca de R$ 60 bilhões estimados em desvios atribuídos ao Banco Master.