A crise envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro abriu uma nova frente de preocupação dentro da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nos bastidores, aliados do senador passaram a defender mudanças na estratégia de comunicação e a contratação de um nome de peso do marketing político para tentar conter o desgaste provocado pelas revelações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”.
Entre os nomes discutidos pela campanha está o do publicitário Eduardo Fischer, conhecido nacionalmente por campanhas marcantes da publicidade brasileira, incluindo o retorno do personagem “Baixinho da Kaiser”, que fez sucesso nos anos 1990. A avaliação de integrantes do entorno político de Flávio é que faltou uma resposta rápida e coordenada logo nos primeiros dias da crise.
Aliados afirmam reservadamente que o senador entrou em uma postura reativa diante do avanço do noticiário e demorou a apresentar uma estratégia clara para enfrentar as denúncias e questionamentos ligados ao caso Master. Segundo integrantes da pré-campanha, isso acabou ampliando o desgaste político do parlamentar. As informações são do jornal O Globo.
Pressão nos bastidores
A discussão sobre reforçar o marketing ganhou força principalmente entre integrantes da ala ligada ao senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político da pré-campanha presidencial. O grupo defende uma comunicação mais profissionalizada, com foco em gerenciamento de crise, campanhas de massa e reposicionamento da imagem pública de Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, integrantes da campanha avaliam que a crise expôs fragilidades no atual núcleo de comunicação do senador, especialmente em relação a Marcelo Lopes, conhecido como “Marcelão”, amigo pessoal de Flávio e figura próxima ao presidenciável. Parte dos aliados considera que ele não possui perfil técnico de marqueteiro político para enfrentar uma crise de grande repercussão nacional.
Também houve incômodo interno após relatos de que Marcelão manteve viagens aos Estados Unidos enquanto o caso Master dominava o debate político no Brasil. Para integrantes da campanha, isso reforçou a sensação de falta de coordenação na resposta inicial ao episódio.
Nome forte da publicidade
Eduardo Fischer passou a ser visto como uma alternativa capaz de ampliar o alcance popular da comunicação de Flávio Bolsonaro. Segundo informações citadas pela Academia Brasileira de Marketing, o empresário é considerado um dos pioneiros da comunicação integrada no país e participou de campanhas publicitárias de grande repercussão nacional.
Além do “Baixinho da Kaiser”, Fischer esteve envolvido em campanhas como “Brahma número 1”, “Experimenta Nova Schin” e “Baby Telesp Celular”. Ele também teve sociedade com o apresentador Roberto Justus no mercado publicitário e acumula centenas de prêmios na área da comunicação.
A avaliação de parte da pré-campanha é que a contratação de um profissional conhecido nacionalmente poderia ajudar Flávio Bolsonaro a recuperar protagonismo político e reduzir os impactos negativos provocados pela crise.
Caso Master amplia tensão
A crise começou após o Intercept Brasil divulgar áudios em que Flávio Bolsonaro pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar na conclusão do filme “Dark Horse”, produção sobre a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.
Nas gravações, o senador menciona dificuldades financeiras ligadas ao longa e demonstra preocupação com pagamentos relacionados à equipe do projeto, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.
Depois das primeiras revelações, novas reportagens passaram a apontar participação formal do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro na estrutura financeira do filme, além de mensagens discutindo formas de envio de recursos aos Estados Unidos.
Apesar de Flávio Bolsonaro ter defendido publicamente a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master e anunciado medidas de prestação de contas sobre os investimentos no filme, aliados admitem reservadamente preocupação com o impacto político do caso sobre a viabilidade da candidatura presidencial do senador.

