Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira revelou uma mudança significativa na percepção dos brasileiros sobre o escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o levantamento, 43,3% dos entrevistados acreditam que os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro são os mais envolvidos no suposto esquema de fraudes financeiras relacionado à instituição financeira.
Outros 32,8% atribuem maior envolvimento a aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já 16,1% disseram acreditar que todos os grupos políticos estão igualmente implicados, enquanto 7,1% apontaram o Centrão como principal responsável.
Apenas 0,7% afirmaram não saber responder.
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio de 2026, com 5.032 entrevistados em todo o país. O levantamento possui margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
Os dados foram divulgados em meio à repercussão das conversas vazadas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Percepção mudou em dois meses
O resultado representa uma mudança importante em relação ao cenário identificado pela própria AtlasIntel há apenas dois meses.
Em março, o levantamento mostrava um quadro inverso: 39,5% dos entrevistados associavam mais os aliados de Lula ao caso envolvendo o Banco Master, enquanto 28,3% relacionavam o episódio ao grupo político de Bolsonaro.
Agora, a percepção pública se inverteu após a divulgação de áudios, mensagens, comprovantes bancários e documentos relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção baseada na trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo reportagem publicada pelo Intercept Brasil, Daniel Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para o longa-metragem entre fevereiro e maio de 2025, dentro de um contrato estimado em R$ 134 milhões.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a revelação de conversas em que Flávio Bolsonaro teria pressionado o banqueiro a liberar recursos para a produção.
Inicialmente, o senador negou qualquer relação de Vorcaro com o financiamento do filme. Posteriormente, após a divulgação dos documentos, admitiu ter buscado recursos privados para viabilizar o projeto nos Estados Unidos.
Ao comentar a mudança de versão, Flávio pediu desculpas por ter negado anteriormente a participação do banqueiro e afirmou ter receio de perseguição política.
Já o deputado federal Eduardo Bolsonaro também se manifestou após suspeitas de que recursos ligados ao Banco Master teriam sido utilizados para custear sua permanência nos Estados Unidos.
Ele negou irregularidades e classificou as acusações como “toscas”.
Caso teve amplo alcance entre os eleitores
A pesquisa mostra que o episódio atingiu ampla repercussão nacional.
Segundo o levantamento, 95,6% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento dos áudios e mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Quando questionados sobre o impacto político do caso, 45,1% disseram que a divulgação das conversas “enfraqueceu muito” a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Outros 19% afirmaram que o episódio “enfraqueceu um pouco” o senador.
Já 15% disseram que o caso não afetou a candidatura, enquanto 13,4% afirmaram que as revelações fortaleceram politicamente o parlamentar.
Outros 7,3% disseram não saber responder.
O levantamento também mediu o impacto das denúncias na disposição de voto do eleitorado.
Segundo os dados, 47,1% afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro “de qualquer forma”, independentemente do escândalo envolvendo o Banco Master.
Outros 21% disseram que as revelações não alteram sua disposição eleitoral.
Entre os entrevistados que relataram mudança de percepção, 13,7% disseram estar “muito mais dispostos” a votar no senador após o caso, enquanto 5,1% afirmaram estar “mais dispostos”.
No sentido oposto, 9,4% disseram estar muito menos inclinados a apoiar Flávio Bolsonaro, e 3,6% afirmaram estar menos propensos a votar no parlamentar.
Base bolsonarista segue fiel
Apesar do desgaste identificado na percepção geral do eleitorado, a pesquisa mostra que a base bolsonarista permanece majoritariamente alinhada ao senador.
Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 84,2% defendem que Flávio Bolsonaro mantenha sua candidatura à Presidência da República.
Outros 12,6% avaliam que ele deveria desistir da disputa e apoiar outro nome do campo conservador.

