A insônia no Brasil se tornou um problema de saúde pública cada vez mais evidente. Dados divulgados no Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, apontam que cerca de 70% dos brasileiros enfrentam algum tipo de alteração no sono, em um cenário marcado por aumento da ansiedade, estresse crônico e exaustão.
De acordo com especialistas, a dificuldade para dormir deixou de ser uma queixa isolada e passou a representar um desafio recorrente na rotina de milhões de pessoas. O impacto vai além do cansaço: a má qualidade do sono pode comprometer a produtividade, o equilíbrio emocional e a saúde física.
Segundo informações de entidades médicas, o avanço dos distúrbios do sono acompanha mudanças no estilo de vida e agravantes recentes, como os efeitos da pandemia. Entre os principais sintomas relatados estão dificuldade para iniciar o sono, acordar várias vezes durante a noite e sensação de cansaço constante ao longo do dia.
A insônia, quando frequente, pode provocar irritabilidade, queda de concentração e prejuízos no desempenho profissional e acadêmico. Ainda de acordo com especialistas, esses sinais devem ser observados com atenção, especialmente quando passam a interferir diretamente na qualidade de vida.
Grupos como mulheres, profissionais da saúde e pessoas com transtornos mentais aparecem entre os mais vulneráveis, conforme apontam estudos recentes.
Com a piora na qualidade do sono, também cresce o uso de medicamentos para induzir o descanso. Entre eles estão os chamados hipnóticos não benzodiazepínicos, conhecidos como “drogas Z”.
De acordo com uma diretriz clínica recente da Academia Brasileira de Neurologia, baseada em consenso entre especialistas, o uso contínuo desses medicamentos pode trazer riscos importantes. Entre os principais estão dependência, aumento da tolerância e o chamado efeito rebote quando a interrupção abrupta pode agravar ainda mais a insônia.
Segundo o documento, o consumo dessas substâncias aumentou nos últimos anos, especialmente durante o período da pandemia, o que acendeu um alerta entre profissionais de saúde sobre o uso sem acompanhamento médico adequado.
A recomendação é que qualquer tratamento medicamentoso seja feito com orientação profissional, evitando a automedicação.
Diante desse cenário, especialistas defendem uma mudança na forma de tratar a insônia no Brasil. A orientação atual prioriza estratégias mais sustentáveis, que não dependem exclusivamente de medicamentos.
Entre as principais recomendações estão práticas de higiene do sono, como manter horários regulares para dormir e acordar, evitar o uso de telas antes de dormir, reduzir o consumo de cafeína no período noturno e criar um ambiente adequado para o descanso.
Além disso, intervenções comportamentais vêm sendo cada vez mais indicadas como forma de reeducar o organismo e melhorar a qualidade do sono de maneira gradual.
Quando o uso de medicamentos se torna necessário, a orientação é que o processo seja acompanhado por profissionais de saúde, com redução gradual das doses para evitar efeitos adversos.
O consenso médico também aponta alternativas farmacológicas temporárias, como trazodona, ramelteona e pregabalina, que podem ser utilizadas em casos específicos, conforme avaliação clínica individualizada.
A recomendação geral é que pessoas com sintomas persistentes busquem avaliação médica para diagnóstico adequado e definição do melhor tratamento. Enquanto isso, medidas simples no dia a dia seguem sendo consideradas fundamentais para recuperar o equilíbrio do sono e melhorar a qualidade de vida.


