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Zema propõe ampliar uso da rede privada no SUS e flexibilizar regras dos planos de saúde

Expresso Rio
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Romeu Zema (Novo) propõe ampliar a participação do setor privado na saúde, incluindo o uso da capacidade ociosa de hospitais e clínicas particulares para reduzir filas do Sistema Único de Saúde (SUS). O plano também prevê mudanças na regulação dos planos de saúde, enquanto análise das propostas aponta que 52% das medidas avaliadas não apresentam detalhamento sobre a execução.

Pelo programa apresentado por Zema, clínicas e hospitais privados poderiam participar do atendimento de pacientes do SUS por meio de parcerias destinadas à realização de consultas, exames e cirurgias. A proposta prevê metas de atendimento e de qualidade e busca aproveitar estruturas disponíveis na rede particular.

A utilização da rede privada para atender pacientes do sistema público, no entanto, não é inédita. O Ministério da Saúde informou em agosto que já havia formalizado R$ 1 bilhão em contratos com 259 instituições privadas e filantrópicas de 21 estados, com previsão de mais de 600 mil consultas, exames e cirurgias pelo programa Agora Tem Especialistas.

Outro ponto que diferencia o programa de Zema está na saúde suplementar. O candidato defende flexibilizar o marco regulatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para permitir modelos de planos com diferentes coberturas, segmentação dos serviços e mecanismos mais flexíveis de compartilhamento de custos.

A discussão sobre produtos de cobertura mais limitada já passou pela ANS. Em 2025, a agência realizou audiência pública sobre uma proposta experimental voltada a planos para consultas médicas eletivas e exames.

Uma análise do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), em parceria com a Umane, sobre propostas dos presidenciáveis também chama atenção para as dificuldades de implementação das medidas apresentadas na área. Segundo o levantamento, 95% das propostas dos seis candidatos analisados exigiriam recursos adicionais e 83% dependeriam de articulação entre União, estados e municípios. O estudo também aponta falta de detalhamento sobre a implementação de parte das propostas.

No caso das medidas atribuídas a Zema nas informações analisadas, 52% não detalham como seriam executadas. Três propostas dependeriam de alteração na legislação federal, todas relacionadas aos planos de saúde. Assim, parte das mudanças defendidas pelo candidato dependeria não apenas de decisões administrativas de um eventual governo, mas também de mudanças no marco legal.