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Justiça

Vorcaro diz ao STF que PF teria barrado delação para proteger diretor-geral; PGR aponta falta de provas

Por 3 min de leitura Expresso Rio
Expresso Rio
Imagem: Divulgação
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O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suas tentativas de negociar um acordo de colaboração premiada não teriam avançado porque as informações que pretendia apresentar poderiam envolver o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, além de pessoas que classificou como integrantes do “núcleo político” do atual governo. A afirmação representa a versão apresentada por Vorcaro e, até o momento, não foi acompanhada de provas que demonstrem eventual interferência de Rodrigues nas negociações.

A oitiva foi realizada a pedido da defesa de Vorcaro e conduzida por um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça. Houve participação do Ministério Público, mas não da Polícia Federal. Segundo nota divulgada pelo gabinete do ministro, o procedimento foi adotado após a defesa relatar supostas “graves intimidações” e solicitar que o ex-banqueiro fosse ouvido com urgência. O conteúdo integral do depoimento permanece submetido a sigilo.

Durante o depoimento, Vorcaro afirmou que teria mantido contato anterior com Andrei Rodrigues e disse que o diretor-geral da PF teria participado de viagens e eventos com ele antes do avanço das investigações relacionadas ao Banco Master. O ex-banqueiro, entretanto, não apresentou detalhes ou documentos que comprovassem que essa alegada proximidade tenha interferido nas decisões dos delegados responsáveis pelas tratativas de colaboração. Procurado pela reportagem que revelou o depoimento, Rodrigues afirmou que não mantinha relação com Vorcaro.

Tentativas anteriores de colaboração foram rejeitadas

Vorcaro também declarou que não teria encontrado abertura suficiente na Polícia Federal para apresentar o que dizia saber. Segundo relatos sobre a oitiva, ele atribuiu essa resistência à possibilidade de suas informações alcançarem integrantes da própria estrutura estatal. A alegação, porém, é contestada pela avaliação já feita por investigadores, segundo a qual propostas anteriores de colaboração não continham informações inéditas ou elementos considerados suficientes para justificar um acordo.

O ex-controlador do Master demonstrou ainda interesse em apresentar uma nova proposta de colaboração premiada. Reportagens publicadas nesta quinta-feira (3) apontam que Vorcaro afirmou estar disposto a fornecer informações relacionadas a integrantes do atual governo e a abordar sua suposta relação anterior com o diretor-geral da PF. Até agora, contudo, não há notícia pública de um novo acordo formalizado ou homologado.

PGR pede arquivamento de relato sobre supostas intimidações

Em manifestação apresentada na quarta-feira (2), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento das alegações de Vorcaro relacionadas a supostas intimidações e maus-tratos sofridos durante o período em que está preso. Segundo a PGR, o relato não veio acompanhado de fatos concretos ou elementos mínimos capazes de justificar a abertura de uma investigação específica sobre essas acusações. O pedido da Procuradoria ainda deve ser analisado no âmbito do Supremo.

A manifestação da PGR também reforça a necessidade de distinguir as declarações do ex-banqueiro de fatos já comprovados. Até o momento, as informações disponíveis mostram que Vorcaro apresentou acusações sobre a atuação da Polícia Federal e manifestou intenção de negociar uma nova colaboração, mas não tornou públicas provas capazes de confirmar que Andrei Rodrigues tenha interferido ou determinado o bloqueio de uma eventual delação. As alegações seguem sujeitas à análise das autoridades competentes e ao contraditório dos envolvidos.

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