Pelo menos 23 pessoas procuraram atendimento médico após testes de glicose realizados durante uma feira de ciências do Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. Segundo as informações divulgadas, uma aluna de 12 ou 13 anos utilizou a mesma lanceta em até três pessoas durante a atividade.
O Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, registrou 20 atendimentos até o fim da tarde de domingo. A escola informou outros três casos na rede particular. O episódio levou a orientações para avaliação médica e acompanhamento relacionado ao risco de exposição a doenças transmissíveis pelo sangue.
De acordo com o vice-diretor Antonio Henrique, a família da estudante havia sido orientada a apenas apresentar o kit durante a feira, sem realizar testes em outras pessoas. Segundo ele, a mãe teria se baseado em uma indicação do fabricante para utilizar a lanceta três vezes.
O episódio ocorreu durante uma feira que reuniu cerca de 3 mil pessoas e não foi identificado imediatamente. Um pai teria estranhado o procedimento ao ver a criança realizando os testes e ouvido uma mulher reclamar que a lanceta não estava sendo trocada.
Familiares também relataram preocupação após o episódio. Segundo os relatos apresentados, uma menina deixou o hospital chorando, enquanto um menino de 12 anos teria perguntado à família se poderia morrer.
A Vigilância Sanitária foi acionada no sábado. Nesta segunda-feira, uma equipe do CMS Harvey Ribeiro esteve na escola para esclarecer dúvidas, sem realizar medicação no local. A instituição também informou ter contratado a infectologista Patrícia Guttman para atendimento na quinta-feira e mantém acompanhamento psicológico.
O protocolo do Ministério da Saúde prevê, em situações consideradas de risco, avaliação para profilaxia pós-exposição, que pode incluir medicamentos antirretrovirais iniciados em até 72 horas e mantidos por 28 dias. Segundo o Hospital Lourenço Jorge e a Secretaria Municipal de Saúde, ninguém deixou de receber a profilaxia dentro do prazo indicado.
A sanitarista Lígia Bahia, da UFRJ, classificou o episódio como absurdo e atribuiu responsabilidade à escola. As circunstâncias do caso e os procedimentos adotados antes, durante e depois da feira seguem sendo avaliados pelas autoridades responsáveis.




