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Justiça

Streamer é identificado e intimado pela polícia após denúncia de homofobia no entorno do Rock in Rio

Expresso Rio
Imagem: Reprodução
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou e intimou o streamer conhecido como GH Rell RJ, acusado pelo ator João Victor Gonçalves de homofobia durante uma abordagem no entorno do Rock in Rio. Segundo informações divulgadas pelo g1, o jovem foi identificado como Jean Almeida Hilário, de 19 anos, morador de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e deverá prestar depoimento às autoridades.

O episódio ocorreu na noite de sexta-feira (4), em frente ao Parque dos Atletas, na região da Cidade do Rock, na Barra Olímpica. A abordagem foi transmitida ao vivo pela plataforma Kick e ganhou repercussão nas redes sociais depois que trechos mostraram João Victor sendo seguido pelo grupo e alvo de comentários relacionados à sua aparência e à roupa que usava.

A Polícia Civil informou que os fatos serão analisados individualmente. João Victor Gonçalves, de 24 anos, também deverá prestar esclarecimentos, e os depoimentos dos envolvidos serão utilizados para ajudar a esclarecer o contexto da abordagem e das manifestações feitas após a repercussão do caso.

Os investigadores vão apurar se as falas atribuídas a Jean podem configurar crime de homofobia. A análise também poderá alcançar uma acusação de racismo feita posteriormente pelo streamer contra João Victor. A defesa do ator contesta essa versão e afirma que o artista figura exclusivamente como vítima nos fatos investigados.

Durante a transmissão, Jean aparecia acompanhado de amigos quando o grupo se aproximou de João Victor. Integrantes fizeram comentários sobre o visual do ator e sobre a calça vermelha que ele vestia. As imagens também mostram o grupo acompanhando João Victor por alguns segundos enquanto ele acelerava o passo e continuava caminhando.

Após a divulgação do vídeo, João Victor classificou o episódio como homofobia e afirmou que sentiu medo durante a abordagem. “Somos mais fortes que qualquer coisa… Impunes não vão ficar, homofobia é crime. Isso é um retrato. Meu medo de ser roubado era maior. Homofobia não é entretenimento”, declarou.

Jean se manifestou posteriormente e negou ter praticado discriminação contra o ator. O streamer afirmou que não fez comentários sobre a orientação sexual de João Victor e sustentou que suas críticas estavam relacionadas apenas à roupa usada pelo artista. Ele também pediu desculpas caso tenha errado durante a transmissão.

Em nota, a defesa de Jean reconheceu que o tom empregado na abordagem foi inadequado e reiterou o pedido de desculpas ao ator. Os advogados, porém, sustentam que não houve homofobia e afirmam que o jovem está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

A defesa de João Victor, representada pelos advogados Gustavo Polido e Andressa Knapp, também rebateu a acusação de racismo feita pelo streamer. Segundo os defensores, a declaração do ator sobre o medo de ser assaltado ocorreu em um contexto de autoproteção diante de uma abordagem que consideraram intimidatória e marcada pela superioridade numérica do grupo.

Os advogados afirmam ainda que não existe relação entre o receio manifestado pelo ator e qualquer elemento racial. A defesa sustenta que comentários feitos por terceiros nas redes sociais não podem ser atribuídos a João Victor nem modificar a análise dos fatos que deram origem ao caso.

Neste domingo (6), dois dias depois do episódio, João Victor voltou à Cidade do Rock e publicou um vídeo durante o festival. “Mais um dia de Rock in Rio – Bora viver!”, escreveu. A Polícia Civil aguarda agora os depoimentos dos envolvidos para definir os próximos passos da investigação.