Sintoma noturno pode indicar Alzheimer antes da memória falhar

Expresso Rio
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Imagem: Pixabay

Um sintoma noturno pode estar diretamente ligado ao desenvolvimento do Alzheimer antes mesmo dos primeiros sinais de perda de memória, segundo informações de estudos recentes sobre saúde cerebral e qualidade do sono.

De acordo com pesquisa publicada na revista científica NPJ Dementia, alterações no padrão de sono especialmente dificuldade para atingir fases profundas do descanso podem funcionar como um alerta precoce da doença neurodegenerativa. A descoberta reforça a importância do sono como indicador da saúde do cérebro.

Alterações no sono podem surgir antes dos esquecimentos

Segundo os pesquisadores do Centro de Envelhecimento Sanders-Brown, da Universidade de Kentucky, a proteína tau associada ao Alzheimer tem papel direto nesse processo.

Conforme a publicação, essa proteína interfere na atividade cerebral, provocando um estado de hiperatividade que impede o cérebro de alcançar o descanso necessário. Esse fenômeno pode explicar por que muitos pacientes começam a apresentar distúrbios do sono antes mesmo de perceber falhas na memória.

Em comunicado, os cientistas explicaram que o tau “sequestra” a energia do cérebro, dificultando o sono restaurador e mantendo o organismo em estado de alerta constante.

Estudo mostra impacto progressivo no cérebro

Para entender melhor essa relação, os pesquisadores realizaram experimentos com camundongos, analisando diferentes fases do sono ao longo do tempo.

De acordo com os dados observados, animais com acúmulo da proteína tau passaram mais tempo acordados e tiveram redução significativa no sono profundo (NREM), essencial para recuperação cerebral. Em estágios mais avançados, também houve diminuição do sono REM, fase importante para consolidação da memória.

A pesquisadora Shannon Macauley, responsável pelo estudo, comparou o efeito a um estado contínuo de agitação cerebral. Segundo ela, o cérebro passa a produzir mais glutamato neurotransmissor que mantém o sistema ativo impedindo o relaxamento necessário para dormir adequadamente.

Ainda conforme a pesquisa, esse processo cria um ciclo contínuo: a alteração no sono contribui para o agravamento da doença, que por sua vez piora ainda mais a qualidade do descanso.

Especialistas reforçam importância do sono para o cérebro

Apesar dos avanços, os próprios autores destacam que os resultados ainda indicam associação, e não uma relação de causa definitiva. Também não há confirmação plena de que os efeitos observados em animais se reproduzam da mesma forma em humanos.

Em entrevista, a psicóloga clínica Wendy Troxel afirmou que a qualidade do sono tem impacto direto na saúde cognitiva. Segundo ela, fatores como sono fragmentado, curta duração e horários irregulares podem aumentar o risco de demência.

Estudos anteriores já apontam que durante o sono profundo o cérebro ativa o sistema glinfático, responsável por eliminar toxinas, incluindo proteínas como tau e beta-amiloide ambas associadas ao Alzheimer.

De acordo com especialistas, a privação de sono pode comprometer esse mecanismo natural de “limpeza” cerebral, afetando não apenas a memória, mas também a saúde mental e cardiovascular.

Troxel recomenda que a busca por um sono saudável seja gradual e sem pressão excessiva. Segundo ela, a ansiedade em relação a noites mal dormidas pode piorar ainda mais o quadro, tornando o descanso mais difícil.

Enquanto isso, a comunidade científica segue investigando a relação entre sono e doenças neurodegenerativas, ampliando o entendimento sobre sinais precoces que podem ajudar no diagnóstico e acompanhamento do Alzheimer.

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