A Secretaria Municipal de Saúde promoveu, nessa quarta-feira (3), uma reunião com cerca de 128 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) no auditório da Prefeitura de Campos para apresentar e alinhar as estratégias do Levantamento Demográfico de Cães e Gatos, iniciativa que vai subsidiar o planejamento de políticas públicas voltadas ao bem-estar animal e ao controle de doenças zoonóticas no município.
A ação é desenvolvida por meio das subsecretarias de Vigilância em Saúde (SUBVS) e Atenção Primária à Saúde (APS), com apoio do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). O encontro foi conduzido pelo subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Carneiro, que destacou a importância da participação dos ACS para ampliar o alcance da pesquisa e garantir maior precisão dos dados coletados.
“Os Agentes de Combate às Endemias já estão coletando os dados em campo e agora pedimos a ajuda dos ACS para que possamos obter um quantitativo mais preciso e, a partir desses resultados, implementar ações cada vez mais adequadas às necessidades identificadas”, afirmou.
As estratégias de coleta já haviam sido apresentadas aos ACE e supervisores de campo durante uma reunião realizada no dia 20 de maio. Desde o início das atividades em campo, em 25 de maio, os ACEs vêm visitando residências e coletando informações que servirão de base para a construção de indicadores sobre a população animal do município.
O Coordenador do Programa Municipal de Controle de Vetores (PMCV), Claudemir Barcelos, destacou que o trabalho tem sido bem recebido pela população e já apresenta resultados nos primeiros dias de execução.
“Em poucos dias de trabalho, já foram preenchidas cerca de 400 fichas. Esse levantamento é extremamente importante porque vai permitir conhecer melhor a população de animais, especialmente aqueles sem tutor, possibilitando o planejamento de ações mais eficientes tanto para a proteção da população quanto para o trabalho desenvolvido pelo Centro de Controle de Zoonoses”, explicou.
Os dados levantados também serão fundamentais para direcionar estratégias de prevenção e combate às zoonoses, doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos. De acordo com o responsável técnico do Centro de Controle de Zoonoses, Marcelo Maeda, a pesquisa permitirá identificar não apenas a quantidade de animais existentes no município, mas também características importantes sobre sua condição e vínculo com os tutores.
“Estamos falando de animais domiciliados, semidomiciliados e daqueles que vivem sem qualquer vínculo com tutores. A partir desses números, poderemos planejar intervenções com maior eficiência, contribuindo para reduzir a ocorrência de doenças zoonóticas. Mais da metade das doenças que acometem os seres humanos tem origem animal, por isso conhecer essa realidade é fundamental para a construção de políticas públicas baseadas em evidências”, ressaltou Maeda.
A pesquisa está sendo desenvolvida em parceria com a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) – Centro de Estudos, Pesquisas e Ambiente em Zoonoses (Cepaz) Professor José Rodrigues Coura, de forma que o município contribua com estudos acadêmicos ainda pouco frequentes na literatura nacional e internacional sobre essa temática. Pela Uenf, participam da iniciativa os pesquisadores Adriana Jardim de Almeida, médica veterinária (LCCA/CCTA/Uenf), Edwards Frazão Teixeira, médico veterinário (LBE/IOC/Fiocruz e LSA/CCTA/Uenf), Josias Alves Machado, biólogo (LCCA/CCTA/Uenf), e Wilder Hernando Ortiz Vega, também médico veterinário (LRMGA/CCTA/Uenf).
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