O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reuniu-se com o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O encontro ocorreu na quarta-feira (2), no gabinete do magistrado, e foi confirmado publicamente por Marinho e pela assessoria do ministro. A movimentação é interpretada como uma tentativa da campanha de manter canais institucionais abertos com a Suprema Corte em meio ao atual cenário de tensão política e jurídica envolvendo integrantes do tribunal.
Ao comentar a reunião, Marinho afirmou que transmitiu ao ministro a expectativa da campanha de vencer as eleições e, em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro, preservar o diálogo entre as instituições. Segundo o senador, a intenção é manter um canal aberto com o Supremo, reconhecendo o STF como um dos três Poderes da República. A manifestação sinaliza uma estratégia de diferenciação entre as críticas dirigidas a decisões ou integrantes específicos da Corte e a manutenção da interlocução institucional com o Judiciário.
O encontro ocorreu em um momento de forte repercussão em Brasília sobre os desdobramentos relacionados ao caso Banco Master e às informações tornadas públicas após decisões do ministro André Mendonça. A divulgação de documentos e mensagens provocou novos questionamentos e manifestações de autoridades e agentes políticos. É importante destacar, contudo, que a existência de documentos, mensagens ou apurações em andamento não representa, por si só, comprovação de irregularidades atribuídas às pessoas mencionadas, cabendo às instituições competentes avaliar juridicamente cada fato.
Gilmar Mendes ocupa atualmente a posição de decano do STF, condição atribuída ao ministro com mais tempo de atuação na Corte. Nesse contexto, a aproximação com o magistrado ganha relevância política por ocorrer enquanto aliados de Flávio Bolsonaro mantêm críticas públicas ao Supremo e, particularmente, ao ministro Alexandre de Moraes. A iniciativa de Marinho indica que a campanha procura combinar o discurso crítico a determinadas atuações do tribunal com a preservação de canais formais de relacionamento entre Executivo e Judiciário em caso de vitória eleitoral.
Marinho também esteve recentemente no centro do debate sobre mudanças na jornada de trabalho. Na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o parlamentar declarou voto contrário à proposta que prevê o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada semanal. A posição integra as divergências entre governo e oposição sobre a regulamentação das relações de trabalho e não possui relação jurídica direta com a reunião realizada no Supremo.
Quanto a novos contatos da campanha com integrantes do STF, uma eventual aproximação com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, deve ser tratada como articulação política enquanto não houver confirmação oficial de audiência ou inclusão do compromisso em agenda pública. Dessa forma, qualquer reunião futura somente poderá ser apresentada como fato após confirmação das partes envolvidas.




