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Renan Santos propõe modelo inspirado no DoctorSV para o SUS; estudo aponta barreiras legais e federativas

Expresso Rio
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O plano de saúde apresentado por Renan Santos, do Missão, propõe reorganizar as filas do Sistema Único de Saúde (SUS) conforme risco e vulnerabilidade, criar um prontuário nacional e estruturar centros regionais de referência. Entre as medidas que diferenciam o programa está a adoção de um sistema inspirado no DoctorSV, plataforma implantada em El Salvador, além da integração de informações genômicas ao prontuário eletrônico do SUS.

O próprio plano de governo descreve a intenção de criar um sistema digital de saúde que reúna telemedicina, diagnóstico auxiliado por inteligência artificial, monitoramento clínico e histórico permanente, inspirado no DoctorSV. A proposta prevê inicialmente um projeto-piloto em cidades atendidas pelo SUS e, posteriormente, eventual implementação nacional.

O DoctorSV foi lançado em El Salvador em novembro de 2025 e reúne recursos como prontuário médico digital, triagem com inteligência artificial, teleconsultas, prescrição eletrônica e integração com laboratórios, farmácias e serviços de imagem. A plataforma foi desenvolvida com participação do governo salvadorenho, CAF e Google.

No programa de Renan Santos, outra proposta é integrar o Programa Genomas Brasil ao prontuário eletrônico do SUS. O plano também estabelece como objetivo alcançar uma média de 80% de resolução dos casos na atenção primária.

A implementação, entretanto, enfrentaria obstáculos institucionais. Segundo o estudo apresentado sobre as propostas, 71% das medidas associadas ao programa dependem da criação ou alteração de leis e 86% exigem ampla pactuação, envolvendo diferentes níveis de governo. O desenho federativo do SUS faz com que mudanças nacionais possam depender de articulação entre União, estados e municípios.

A questão não se restringe à tecnologia. Fora do conjunto específico de medidas assistenciais, o programa também propõe desvincular o piso constitucional da saúde, mudança que colocaria o financiamento do setor entre os pontos centrais do debate sobre a execução das propostas.

Um levantamento mais amplo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), em parceria com a Umane, sobre programas presidenciais também identificou dificuldades de financiamento e coordenação no setor. Segundo o estudo, 95% das propostas de saúde examinadas entre seis candidaturas demandariam recursos adicionais, enquanto 83% dependeriam de articulação entre União, estados e municípios.

Assim, as propostas de Renan Santos combinam reorganização do atendimento, digitalização e uso de novas tecnologias no SUS, mas sua eventual implementação dependeria de alterações legais, definição de financiamento e negociação federativa. As medidas descritas no programa são propostas eleitorais e não representam mudanças atualmente implementadas no sistema público brasileiro.