Preço do petróleo cai abaixo de US$ 100 com trégua no Oriente Médio

Expresso Rio
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Preço do petróleo cai abaixo de US$ 100 com trégua no Oriente Médio

O mercado internacional de petróleo registrou forte queda nesta terça-feira após o anúncio de uma trégua temporária entre os Estados Unidos e o Irã. A decisão foi comunicada pelo presidente Donald Trump, que condicionou a suspensão dos ataques à reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de energia.

A reação foi imediata. O barril do Brent, referência internacional, recuava 12,19% por volta das 7h40, sendo negociado a cerca de US$ 93,78 nos contratos com vencimento em junho. Com isso, o preço voltou a ficar abaixo dos US$ 95 pela primeira vez desde 24 de março.

Trégua condicionada e impacto imediato

A queda nas cotações ocorreu após Teerã aceitar a reabertura temporária do Estreito de Ormuz, aliviando temores sobre interrupções no fornecimento global. O canal é responsável por uma parcela significativa do fluxo de petróleo e gás natural liquefeito no mundo.

Ao anunciar a decisão, Trump destacou as condições da trégua. “Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas”, escreveu o presidente dos EUA em publicação na rede Truth Social. A pausa, segundo ele, está vinculada à reabertura “completa, imediata e segura” da rota estratégica.

Mercados globais reagem com alívio

Além do petróleo, outros indicadores financeiros também refletiram a redução das tensões. Os mercados futuros de Nova York operaram em alta no pós-mercado. Os contratos do Dow Jones subiram 2,96%, enquanto o S&P 500 avançou 2,24% e o Nasdaq futuro registrou ganho de 2,67%.

O dólar também perdeu força no exterior, em um movimento típico de maior apetite ao risco por parte dos investidores. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda estadunidense frente a outras divisas fortes, recuava 0,82%, chegando a 98,85 pontos.

Analistas interpretaram o movimento como resposta direta ao cenário de descompressão geopolítica. “Como já destacado em diversas ocasiões, os participantes do mercado estão há semanas desesperados por qualquer notícia positiva e ainda mais por sinais concretos de desescalada”, afirmou Michael Brown, estrategista da Pepperstone.

Importância estratégica do Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos mais sensíveis do comércio global de energia. Aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo passam pela região.

Nos últimos dias, a possibilidade de bloqueio da rota elevou a volatilidade dos mercados e pressionou os preços. Mesmo com a queda registrada agora, o petróleo do tipo WTI ainda acumulava alta de cerca de 40% desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

Estimativas do governo dos Estados Unidos apontavam que uma eventual interrupção mais severa poderia comprometer mais de 9 milhões de barris por dia apenas no mês de abril.

Negociações e próximos passos

Autoridades iranianas indicaram que a reabertura do estreito dependerá de coordenação com as Forças Armadas e de limitações técnicas. A informação foi divulgada pelo ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi.

Do lado israelense, houve sinalização de que os bombardeios serão suspensos enquanto as negociações estiverem em curso. A expectativa é que a primeira rodada de conversas entre Estados Unidos e Irã ocorra na próxima sexta-feira, em Islamabad.

A trégua foi anunciada após dias de escalada no conflito, marcados por ameaças públicas e ações militares. No mesmo período, autoridades dos EUA confirmaram ataques a alvos na Ilha de Kharg, embora sem atingir diretamente a infraestrutura energética.

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