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Polícia

PF investiga esquema de compra de fuzis com registros fraudulentos para o Comando Vermelho

Expresso Rio
Imagem: Divulgação/PF
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A Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (4), a Operação Polaridade, que investiga um suposto esquema de fraude na obtenção de autorizações para compra de armas de fogo destinadas a Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs). Segundo a PF, pessoas sem antecedentes criminais teriam sido utilizadas como intermediárias para adquirir armamentos, inclusive fuzis, que posteriormente seriam destinados ao Comando Vermelho. As conclusões ainda fazem parte de uma investigação em andamento.

Até o fim da manhã, dez suspeitos haviam sido presos. Ao todo, a operação prevê o cumprimento de 20 mandados de prisão e 26 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em Vila Velha, no Espírito Santo. As diligências estão concentradas principalmente na Baixada Fluminense, em Macaé, no Norte Fluminense, e no estado capixaba. Durante as buscas, agentes apreenderam pistolas e fuzis, incluindo armamentos de alto calibre.

Funcionário terceirizado da PF é alvo da investigação

De acordo com a Polícia Federal, a apuração teve início na Delegacia da PF em Niterói após serem identificadas inconsistências em processos que teriam passado pela análise de um funcionário terceirizado que atuava no Núcleo de Armas. O investigado foi preso preventivamente na quinta-feira (3). A identidade dele não foi divulgada oficialmente.

Segundo os investigadores, o funcionário teria participado da análise de pedidos relacionados à concessão de autorizações para aquisição de armas de uso restrito e alto calibre. A suspeita é de que alguns procedimentos tenham sido aprovados sem a documentação obrigatória ou mediante apresentação de documentos supostamente falsos. A eventual responsabilidade criminal do investigado deverá ser apurada ao longo do processo, com garantia do direito de defesa.

O chefe da Delegacia da Polícia Federal em Niterói, Adriano Soares, afirmou que a velocidade de tramitação de determinados pedidos chamou a atenção dos investigadores. Conforme relatado por ele ao G1, enquanto alguns procedimentos levavam aproximadamente 60 dias para serem analisados, outros eram concluídos em apenas um ou dois dias. Em determinadas situações, segundo o delegado, um mesmo requerente conseguia autorização para adquirir diversas armas em um único procedimento.

PF apura utilização de “laranjas”

A investigação sustenta que pessoas sem registros de antecedentes criminais teriam sido utilizadas como “laranjas”, apresentando-se formalmente como compradores habilitados para obter autorizações de aquisição de armas sob a justificativa de utilização em atividades de caça. De acordo com a PF, parte dos armamentos comprados por meio desses procedimentos teria sido posteriormente repassada a integrantes do crime organizado.

Os investigadores agora buscam identificar a dimensão do suposto esquema, o número de armas adquiridas por meio de procedimentos considerados irregulares, o destino de cada armamento e a possível participação de outros envolvidos. A operação também deverá analisar documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados.

Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados poderão, conforme a participação individual atribuída a cada suspeito e as provas reunidas, ser enquadrados em crimes como organização criminosa, inserção de dados falsos em sistemas da Administração Pública, corrupção passiva, falsidade ideológica, uso de documento falso e comércio ilegal de armas de fogo. Os investigados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva pela Justiça.