A Petrobras anunciou na noite de segunda-feira (6) a destituição do diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser. A decisão foi tomada durante reunião do Conselho de Administração da estatal, em meio à repercussão do leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), realizado dias antes.
Schlosser era responsável pela área que conduziu o certame ocorrido na última semana, no qual o gás de cozinha foi comercializado com ágio superior a 100%, chegando a ser vendido por mais do que o dobro do preço de referência para distribuidoras.
A operação gerou forte reação no governo federal e contribuiu para o desgaste interno na companhia.
Críticas do governo e reação imediata
Dois dias após o leilão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou publicamente a realização do processo, indicando que a iniciativa contrariava diretrizes da própria Petrobras.
“As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobras de não aumentar o GLP. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, declarou, em entrevista à TV Record Bahia.
Na mesma ocasião, Lula classificou o episódio como “cretinice, bandidagem” e mencionou a possibilidade de anulação da venda.
No mesmo dia das declarações, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis iniciou uma fiscalização em refinarias da estatal para investigar “suspeitas de prática de preços com ágios elevados” no leilão.
Contexto de alta do petróleo
O leilão ocorreu em um cenário de forte pressão internacional sobre os preços de energia, impulsionado pela escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã. As tensões afetaram a cadeia global de petróleo e derivados, elevando custos e aumentando o risco de escassez.
O GLP, conhecido popularmente como gás de cozinha, também é utilizado por setores industriais, o que amplia o impacto de sua variação de preço na economia.
Diante desse cenário, o governo federal vinha estudando medidas para conter a alta dos combustíveis e reduzir os efeitos sobre consumidores e empresas.
A decisão de substituir o diretor ocorreu no mesmo dia em que foram anunciadas ações para mitigar os impactos do encarecimento do diesel e do próprio GLP, incluindo redução de tributos e subsídios.
Mudanças na diretoria
Com a saída de Schlosser, a Petrobras informou que a diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade, Angélica Laureano, passa a responder pela área de Logística, Comercialização e Mercados.
Já o diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, acumulará temporariamente as funções que eram exercidas por Laureano.
Claudio Schlosser é engenheiro químico e advogado, com trajetória na Petrobras desde 1987. Ele ocupava a diretoria desde março de 2023, quando a empresa era presidida por Jean Paul Prates.
A área sob sua responsabilidade é considerada estratégica, pois define as condições de comercialização dos produtos da estatal, incluindo preços e compradores.
Mudança no comando do conselho
Além da troca na diretoria, a Petrobras também anunciou alterações no Conselho de Administração. O colegiado elegeu Marcelo Weick Pogliese como presidente até a próxima assembleia-geral, prevista para ocorrer em até dez dias.
Ele substitui Bruno Moretti, que deixou o cargo para assumir o Ministério do Planejamento e Orçamento, no lugar de Simone Tebet, que deve disputar o Senado por São Paulo.
O Conselho de Administração é responsável por orientar as estratégias da companhia e é composto por membros eleitos pelos acionistas. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, integra o colegiado.
Indicação do governo para o conselho
A estatal informou ainda que recebeu a indicação de Guilherme Santos Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, para integrar o conselho.
Segundo comunicado ao mercado, o nome será submetido à análise dos requisitos legais de gestão e integridade antes de eventual confirmação.
Mello possui formação acadêmica em economia e atuação em conselhos de empresas públicas, incluindo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a Pré-Sal Petróleo S.A..


