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Ciência

Pepino-do-mar do Ártico produz compostos que interrompem crescimento de câncer de mama triplo-negativo

Expresso Rio
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Dois compostos derivados do pepino-do-mar Ocnus glacialis, encontrado nas águas frias do mar de Chukchi, apresentaram atividade contra células de câncer de mama triplo-negativo em estudos realizados por pesquisadores do Instituto Elyakov de Química Bioorgânica do Pacífico, da Academia Russa de Ciências. Os resultados apontam para o potencial dos compostos como base para uma nova classe de substâncias anticancerígenas.

Denominados glacialisósidos A e B, os compostos demonstraram ação particularmente forte contra células do câncer de mama triplo-negativo, uma forma da doença que apresenta características biológicas específicas. Segundo os dados fornecidos pelos pesquisadores, as substâncias tiveram efeito seletivo sobre as células malignas, com pouco impacto sobre células mamárias saudáveis.

Nos testes, concentrações inferiores a 0,2 micromolar (μM) dos compostos foram suficientes para interromper a divisão das células cancerígenas. Quando a concentração chegou a 1 μM, os pesquisadores observaram o bloqueio completo do crescimento das colônias de células analisadas.

Os resultados foram obtidos em testes laboratoriais com células, portanto não significam que os compostos já sejam um tratamento disponível contra o câncer de mama. Ainda são necessários estudos adicionais para determinar como essas substâncias se comportam em modelos mais complexos e avaliar sua segurança e eficácia antes de qualquer eventual aplicação clínica.

De acordo com os pesquisadores, a descoberta aponta para uma possível nova classe de candidatos a medicamentos anticancerígenos, baseada em glicosídeos derivados de invertebrados marinhos do Ártico. O achado reforça o interesse científico por organismos marinhos como fonte de moléculas com potencial farmacológico.