O pastor Nivaldo, investigado por suposto envolvimento com integrantes do Comando Vermelho (CV), morreu no sábado (5), em Cuiabá. Ele estava em tratamento contra um câncer havia cerca de três meses. Em julho, o pastor, a esposa e a filha foram alvo de uma operação conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Segundo a Polícia Civil, a família participava de um projeto religioso desenvolvido dentro de unidades prisionais do estado. As investigações apontaram que a atividade teria sido utilizada para facilitar contatos com integrantes da organização criminosa. As suspeitas fazem parte de uma investigação policial e não significam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.
A apuração começou após uma denúncia anônima indicar que integrantes da família estariam utilizando o projeto religioso para entrar na Penitenciária Central do Estado (PCE) e entregar celulares, carregadores e outros objetos proibidos a integrantes do Comando Vermelho. Durante as diligências, a polícia afirma ter identificado comunicação frequente entre investigados, presos e foragidos ligados à facção.
De acordo com a investigação, existe ainda a suspeita de que membros da família transmitissem mensagens entre criminosos presos e pessoas em liberdade. A Polícia Civil também apura se os investigados aproximavam familiares de integrantes do grupo e auxiliavam no contato com possíveis lideranças da organização criminosa.
Outro eixo da investigação envolve uma suposta lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Civil, integrantes da família teriam recebido valores atribuídos ao Comando Vermelho e utilizado contas bancárias de parentes e terceiros para fracionar depósitos e realizar sucessivas transferências, numa possível tentativa de dificultar a identificação da origem dos recursos.
Os investigadores suspeitam ainda que parte desses valores tenha sido utilizada para custear viagens, comprar veículos e pagar procedimentos estéticos. A apuração também identificou diversas viagens de integrantes da família ao Rio de Janeiro, onde, segundo a polícia, eles teriam frequentado uma comunidade apontada como área de domínio do Comando Vermelho.
Durante as diligências, policiais encontraram vídeos e fotografias dos investigados ao lado de criminosos foragidos e de homens portando fuzis, pistolas, revólveres e rádios comunicadores. Também foram localizados registros de crianças segurando armas e de investigados manuseando armamentos, conforme informações da investigação.
A Polícia Civil afirma ainda ter identificado videochamadas entre mulheres ligadas ao projeto religioso e integrantes da facção. Em um dos vídeos analisados pelos investigadores, um criminoso foragido aparece em uma chamada enquanto outro homem realiza disparos de fuzil em uma comunidade.
As apurações também encontraram conversas nas quais uma das investigadas teria solicitado um “salve” contra um homem acusado de furto. No contexto descrito pela investigação, a expressão seria utilizada para indicar uma punição ou represália contra alguém acusado de descumprir regras impostas pelo grupo criminoso.
Os investigadores analisam ainda diálogos relacionados à negociação de uma arma de fogo que, conforme a apuração, estaria escondida em uma propriedade rural utilizada pela família. Todas essas informações integram a investigação conduzida pela Polícia Civil e permanecem apresentadas como suspeitas e elementos sob apuração.




