A primeira semana do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão terminou com Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) concentrando o principal confronto da disputa pelo Governo do Rio de Janeiro. A propaganda começou em 28 de agosto e seguirá até 1º de outubro no primeiro turno. Paes dispõe do maior tempo entre os candidatos ao Palácio Guanabara, enquanto Ruas aparece com a segunda maior parcela.
Os dois adotaram estratégias diferentes nos primeiros programas. Paes buscou apresentar sua candidatura sob o discurso de reconstrução do Estado e direcionou críticas ao grupo político que esteve à frente do governo fluminense nos últimos anos. Ruas, por sua vez, priorizou inicialmente a apresentação de sua trajetória e o discurso do chamado “Rio real”, procurando destacar regiões como Baixada Fluminense, Zona Oeste, Zona Norte e municípios do interior.
Disputa eleitoral chega ao TRE-RJ
O confronto ganhou novo capítulo na Justiça Eleitoral. Na sexta-feira (4), uma decisão liminar do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) determinou que Paes e sua coligação retirassem do ar, em até 24 horas, cinco peças de propaganda eleitoral contra Douglas Ruas. A medida foi proferida pela desembargadora eleitoral Ane Cristine Scheele Santos, após representação apresentada pela coligação que apoia o candidato do PL.
De acordo com a decisão, as peças questionadas ultrapassariam os limites admitidos para a crítica política ao atribuir ao candidato fatos de natureza criminosa sem suporte probatório suficiente. A ordem prevê multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Por se tratar de decisão liminar, a medida não representa julgamento definitivo do mérito da representação e pode ser revista no curso do processo.
Outro embate judicial da campanha envolveu Anthony Garotinho (Republicanos). O TRE-RJ havia restringido inicialmente sua participação no horário eleitoral gratuito, em debates e o acesso a recursos públicos de campanha. No entanto, em 28 de agosto, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu essas restrições em caráter liminar, permitindo a continuidade da campanha enquanto a controvérsia jurídica sobre o registro permanece pendente de definição.
Garotinho também entrou em confronto judicial com Paes por declarações publicadas nas redes sociais. A Justiça Eleitoral concedeu direito de resposta a Eduardo Paes após publicações em que o candidato do Republicanos o chamou de “candidato da milícia” e afirmou que ele estaria recrutando milicianos para sua campanha. A decisão determinou a retirada dos conteúdos questionados e a divulgação da resposta de Paes nos perfis de Garotinho. A medida foi assinada pela juíza Maria Paula Gouvêa Galhardo.
Segurança, educação e IPVA entram no centro da campanha
Paralelamente aos embates, Paes e Ruas procuram ampliar o espaço dedicado às propostas. Entre as medidas apresentadas pela campanha de Paes estão iniciativas voltadas à segurança pública, proteção às mulheres e educação. O candidato tem defendido, entre outros pontos, maior utilização de tecnologia na segurança, ampliação de políticas de atendimento às mulheres e reforço do acompanhamento de estudantes que necessitam de apoio especializado.
Ruas mantém a segurança pública como uma das principais bandeiras de sua campanha, defendendo medidas como ampliação do uso de reconhecimento facial, drones e equipamentos de fiscalização, além de reforço do efetivo policial e expansão do sistema prisional. Na área educacional, também apresentou propostas relacionadas à expansão do ensino técnico e das escolas cívico-militares, além de defender maior fiscalização sobre concessionárias de serviços públicos.
Um dos episódios que evidenciaram a disputa direta por segmentos específicos do eleitorado ocorreu entre os motociclistas. Em 28 de agosto, Ruas anunciou, durante encontro com trabalhadores próximo ao Maracanã, a proposta de zerar o IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas. Horas depois, Paes divulgou compromisso semelhante. A coincidência foi explorada politicamente pela campanha de Ruas, que acusou o adversário de reproduzir uma proposta já apresentada pelo candidato do PL. A afirmação de que houve “cópia”, entretanto, constitui argumento político da campanha, e não uma conclusão independente sobre a autoria da proposta.
Outros candidatos tentam ampliar espaço
Além dos dois nomes que aparecem nas primeiras posições das pesquisas mais recentes, William Siri (PSOL) utiliza seu espaço no horário eleitoral para defender propostas como tarifa zero nos transportes, mudanças no modelo ferroviário e metroviário, investimentos nas UPAs e realização de concursos públicos para a Saúde. Paes e Ruas aparecem, respectivamente, na primeira e na segunda colocação em levantamentos divulgados nesta semana, embora pesquisas eleitorais representem apenas o retrato do período em que foram realizadas e não constituam previsão do resultado das urnas.
Os candidatos André Marinho (Novo), Coronel Busnello (Missão), Cyro Garcia (PSTU), Juliete Pantoja (UP) e Luan Monteiro (PCO) não possuem tempo próprio nos blocos do horário eleitoral gratuito em razão das regras de distribuição vinculadas à representação partidária. Com menor exposição na televisão, essas candidaturas procuram utilizar agendas presenciais e plataformas digitais para apresentar propostas e aumentar o conhecimento de seus nomes entre os eleitores.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a abertura do horário eleitoral indica que a campanha fluminense tende a combinar cada vez mais a disputa de propostas com o confronto político e jurídico. A primeira semana mostrou que declarações e peças publicitárias poderão ser submetidas com frequência ao controle da Justiça Eleitoral, especialmente quando envolverem acusações de crimes ou afirmações potencialmente ofensivas. Ao eleitor, caberá acompanhar não apenas os ataques entre os candidatos, mas também comparar os programas apresentados para segurança, saúde, educação, transporte e desenvolvimento econômico do Estado.




