O Brasil pode registrar um cenário de calor intenso e prolongado ao longo de 2026, segundo avaliação técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. O órgão aponta risco de um chamado “desastre térmico” caso o fenômeno climático El Niño se confirme no segundo semestre.
Segundo reportagem do portal Metrópoles, a análise indica que a combinação entre o aquecimento global já em curso e o possível aquecimento das águas do Oceano Pacífico pode aumentar tanto a frequência quanto a duração das ondas de calor em diferentes regiões do país. Os efeitos devem ser mais intensos, principalmente, no Sudeste e no Centro-Oeste.
Ondas de calor mais frequentes e duradouras
O alerta surge em um contexto de elevação contínua das temperaturas globais. Entre 2015 e 2025, foi registrado o período mais quente já observado no planeta, segundo dados internacionais citados no documento.
No Brasil, os eventos extremos de calor também têm se tornado mais comuns. Em 2024, foram registradas dez ondas de calor, enquanto 2023 teve oito episódios e 2025 contabilizou sete. Além da frequência crescente, especialistas apontam que esses eventos estão cada vez mais longos.
Outro fator que preocupa os pesquisadores é o aumento das temperaturas mínimas. As noites mais quentes reduzem a capacidade de recuperação do organismo após dias de calor intenso, elevando os riscos à saúde.
Como o El Niño influencia o clima
O fenômeno El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial apresentam temperaturas acima do normal por um período prolongado, alterando o equilíbrio climático global.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, os ventos alísios desempenham papel central nesse processo.
“No entanto, quando os ventos alísios estão enfraquecidos ou invertem a direção, essa troca de águas não ocorre e as mais quentes permanecem por mais tempo paradas na superfície, podendo chegar até 3°C ou mais acima da média, formando, assim, o El Niño”, explica o instituto.
Já o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais destaca os impactos mais amplos do fenômeno.
“El Niño representa o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.O fenômeno modifica a circulação da atmosfera e pode alterar os padrões de transporte de umidade e a distribuição das chuvas em diversas regiões do planeta”, explica o instituto.
Embora se origine no Pacífico, o fenômeno influencia o clima global por meio de mudanças nas correntes oceânicas e nos padrões de vento.
Impactos esperados no Brasil
No território brasileiro, o El Niño costuma provocar alterações relevantes no regime de chuvas e nas temperaturas. Em geral, há redução das precipitações na região Norte e aumento no Sul, enquanto o Sudeste e o Centro-Oeste enfrentam calor mais intenso e períodos de baixa umidade.
Segundo o Cemaden, o agravamento das ondas de calor pode gerar uma série de impactos sociais e econômicos. Entre eles estão o aumento de problemas de saúde associados às altas temperaturas, queda de produtividade e prejuízos à agricultura.
O risco de incêndios florestais também tende a crescer em cenários de calor prolongado e baixa umidade. Além disso, eventos climáticos extremos podem afetar a produção agrícola e pressionar os preços de alimentos.
Previsões ainda dependem de monitoramento
Apesar do alerta, especialistas ressaltam que ainda há incertezas sobre a intensidade do fenômeno em 2026. A probabilidade de formação do El Niño é estimada em cerca de 80%, mas sua força e duração só poderão ser confirmadas ao longo dos próximos meses.
Modelos climáticos ainda enfrentam limitações para prever com precisão fenômenos de longo prazo. Por isso, o acompanhamento contínuo das condições do oceano e da atmosfera será essencial para refinar as projeções.


