O deputado estadual Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo do estado, reagiu à decisão da Justiça que determinou a retirada de postagens feitas pelo ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) contra ele e o ex-governador Cláudio Castro (PL). Em vídeo publicado nas redes sociais, Ruas afirmou que não pretende “entrar em jogo sujo da velha política” durante a disputa eleitoral, em referência a seu principal adversário.
No post, Ruas disse que ele e sua família têm sido alvos de notícias inverídicas desde que anunciou sua pré-candidatura, em fevereiro. O parlamentar, que busca consolidar seu nome junto ao eleitorado conservador, disse que manterá uma postura propositiva.
“Quem me acompanha e conhece minha trajetória sabe que nunca fizemos política atacando adversários. E não será dessa vez que faremos. Não vamos entrar nesse jogo sujo da velha política”, disse Ruas, alfinetando o ex-alcaide. O moço chegou a rodar o estado ao lado de Castro — quando ainda era governador — em agendas ligadas à Segurança Pública, um dos focos da candidatura, para tornar-se mais popular e fazer frente ao rival, que tem aparecido como favorito nas pesquisas.
Vale lembrar que o grupo de Paes e o de Castro, que já chegaram a dar as mãos um dia, andam se estranhando principal desde o início deste ano de eleição, o que piorou após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), da base de Paes na Cinelândia, no mês passado. O parlamentar, que teve sua liberdade mantida nesta semana por decisão judicial, chegou a ser acusado por Castro, sem provas, de ser parte do braço político do Comando Vermelho — o que é negado pela defesa do vereador.
Decisão do TRE mandou Paes apagar publicações contra Castro e Ruas
A decisão citada por Ruas foi proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE), que determinou a retirada de duas postagens feitas por Paes nas redes sociais. A medida atende a uma ação do PL, que apontou a divulgação de conteúdos considerados inverídicos contra o grupo político de Castro.
Em uma das publicações, Paes associava o ex-governador e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar a investigações por corrupção e a um suposto envolvimento com o Comando Vermelho. Já em outro post, o ex-prefeito afirmou que adversários políticos estariam tentando “roubar mais uma eleição”, em referência aos pleitos de 2018 e 2022 e à tentativa de articular uma eleição indireta que poderia colocar um aliado de Castro no poder do estado durante o mandato-tampão.
Relator do caso, o desembargador federal Aluísio Gonçalves de Castro Mendes fixou prazo de 24 horas para exclusão das publicações, sob pena de multa diária de R$ 10 mil. Na decisão, o magistrado afirmou que uma das postagens “extrapola os limites da liberdade de expressão” ao associar Castro a investigações relacionadas à situação de Bacellar sem que houvesse indicação formal nesse sentido.
O tribunal também considerou desinformativa a publicação que sugeria tentativa de fraude eleitoral por parte do grupo adversário. Esta é a segunda decisão semelhante favorável ao PL ainda no período de pré-campanha.
Disputa ocorre em meio a crise no comando do estado
A troca de acusações acontece em um momento de instabilidade política no Rio, com a indefinição sobre a forma de escolha do próximo governador após a renúncia de Castro do cargo um dia antes de se tornar inelegível pelo TSE.
Atualmente, o comando do estado está nas mãos do presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), o desembargador Ricardo Couto, que exerce o cargo de forma interina.
O modelo de eleição para o chamado mandato-tampão está sendo analisado pelo Supremo Tribunal Federal, que decide se a escolha será direta, com voto popular, ou indireta, restrita aos deputados da Alerj — o que tem sido criticado por Paes e aliados como uma tentativa de manter o grupo rival no poder.
O julgamento ocorre em meio a divergências entre os ministros e pode redefinir o cenário político no estado. A decisão tem impacto direto sobre as estratégias dos grupos políticos, já que uma eventual eleição indireta ampliaria o peso das articulações dentro da Assembleia.
Nos bastidores, a incerteza já movimenta negociações pelo comando do parlamento fluminense, considerado um posto-chave no tabuleiro da sucessão. Enquanto aliados de Paes tentam consolidar uma frente no campo da esquerda, o PL trabalha com cenários que preservem sua influência na Casa e fortaleçam a pré-candidatura de Ruas. O desfecho do julgamento deve influenciar diretamente o equilíbrio de forças no estado e o rumo da disputa pelo Palácio Guanabara
Até o momento, Eduardo Paes não se manifestou sobre a decisão da Justiça nem sobre a declaração de Douglas Ruas. Agenda do Poder tenta contato com a equipe do ex-alcaide.


