O pedido de afastamento do presidente interino do Rioprevidência ganhou destaque nesta sexta-feira (10), após o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) acionar a Justiça com base em investigações que apontam possíveis irregularidades em aportes milionários realizados pelo fundo previdenciário estadual.
De acordo com informações do MPRJ, a ação solicita o afastamento imediato de Nicholas Cardoso do comando da autarquia, além do bloqueio de aproximadamente R$ 1 bilhão em bens. O pedido também inclui o ex-presidente Deivis Marcon Antunes, o Banco Master e a empresa PKL One, como forma de garantir eventual recomposição dos recursos administrados pelo fundo.
As medidas ocorrem após apuração que identificou a aplicação de R$ 118 milhões em fundos de investimento que, segundo o órgão, não possuíam o devido credenciamento exigido por normas do Conselho Monetário Nacional.
Aportes sob investigação levantam alerta
Segundo o Ministério Público, os aportes investigados foram realizados no fim de dezembro de 2025, período posterior ao caso envolvendo investimentos anteriores do Rioprevidência no Banco Master.
Na época, Nicholas Cardoso ocupava o cargo de diretor de investimentos da autarquia. Conforme apontado pelas investigações, as operações teriam sido feitas sem o cumprimento de exigências formais de credenciamento das instituições financeiras, o que pode representar descumprimento de normas regulatórias.
Relatórios internos do Conselho Fiscal do Rioprevidência já haviam identificado indícios de falhas no processo, incluindo possível exposição indevida do patrimônio administrado pelo fundo.
O MPRJ destaca que o credenciamento prévio das instituições é considerado um mecanismo essencial de controle, justamente para reduzir riscos de fraude e garantir maior segurança na gestão dos recursos públicos.
Contexto envolve caso anterior com Banco Master
O pedido de afastamento ocorre em meio a um cenário já sensível para o Rioprevidência. Isso porque o fundo havia investido cerca de R$ 970 milhões no Banco Master, que posteriormente entrou em processo de liquidação.
De acordo com a promotoria, a permanência de Nicholas Cardoso na presidência interina pode representar risco à gestão dos recursos previdenciários, especialmente diante do histórico recente envolvendo investimentos considerados problemáticos.
Cardoso assumiu o comando da autarquia após a prisão do então presidente Deivis Antunes, detido pela Polícia Federal em fevereiro deste ano, conforme amplamente divulgado à época.
Somando os valores já aplicados no Banco Master e os novos aportes sob investigação, o montante cujo bloqueio foi solicitado pelo Ministério Público chega a cerca de R$ 1,088 bilhão.
Rioprevidência contesta pedido do MPRJ
Em nota, o Rioprevidência informou que considera a ação do Ministério Público “desarrazoada” e afirmou que, até o momento, não foi formalmente notificado sobre o pedido de afastamento.
A autarquia também declarou que os R$ 118 milhões investigados correspondem a recursos administrativos, e não diretamente aos fundos previdenciários, argumento utilizado para sustentar que essas aplicações não estariam submetidas às mesmas regras de enquadramento.
Ainda segundo o órgão, os investimentos realizados foram classificados como de baixo risco e estariam alinhados com recomendações de segurança que já vinham sendo implementadas internamente.
O caso segue sob análise da Justiça, enquanto os órgãos de controle acompanham os desdobramentos das investigações envolvendo a gestão dos recursos previdenciários estaduais.


