O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pela primeira vez, nesta segunda-feira (14), ter trocado mensagens com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Em despacho apresentado ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes afirmou que os supostos diálogos mencionados em relatório da Polícia Federal são “fantasiosos” e que nunca existiram.
“Nenhuma ilação foi mais falsa, criminosa e mentirosa do que a questão dos supostos diálogos por mensagens entre mim e Daniel Vorcaro”, escreveu Moraes. Segundo o ministro, não existem mensagens de sua autoria relacionadas à chamada “Operação Compliance”.
A referência aos supostos diálogos consta de um relatório produzido pela Polícia Federal a pedido do ministro André Mendonça. Conforme as informações apresentadas, o material não permite identificar diretamente quem seria o destinatário das mensagens enviadas por Vorcaro nem qual teria sido a resposta do interlocutor. Ainda assim, a PF concluiu que o destinatário seria Moraes.
Moraes contesta essa conclusão e afirma que não há elementos que indiquem a existência de consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de operação policial de sua parte. O ministro também sustenta que não existe uma única mensagem ou bloco de notas com texto que possa ser atribuído a ele.
“O MAIS GRAVE. As ilações absurdas, que foram divulgadas como SUPOSTOS DIÁLOGOS entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes, SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM”, afirmou. Segundo Moraes, a existência de um diálogo pressuporia a presença de mensagens dos dois interlocutores, o que, de acordo com ele, não ocorre no material citado.
O ministro também questionou a possibilidade de comprovar a atribuição das mensagens. Moraes afirmou que André Mendonça teve acesso “antecipado ao acervo bruto de extrações”, circunstância que, segundo sua manifestação, comprometeria o controle sobre a veracidade e a auditabilidade dos fragmentos posteriormente apresentados.
“Não há possibilidade de controle da veracidade das alegações e nem a possibilidade de auditabilidade dos fragmentos juntados”, escreveu Moraes. A manifestação representa uma negativa direta do ministro à conclusão atribuída pela PF sobre a identidade do destinatário das mensagens, sem que o despacho, conforme os fatos apresentados, estabeleça quem seria efetivamente o interlocutor de Vorcaro.
Moraes, portanto, sustenta que os diálogos atribuídos a ele não existiram e questiona a base utilizada para vinculá-lo às mensagens. A conclusão sobre a autoria dos fragmentos permanece como ponto central da controvérsia descrita no material.




