A cinco dias do primeiro turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom do discurso eleitoral durante ato de campanha nesta terça-feira (29), em Fortaleza, no Ceará. Lula afirmou que a disputa presidencial coloca em confronto “dois projetos” e classificou a eleição como uma escolha entre “democracia e barbárie”.
Durante o discurso, o presidente associou seu campo político à defesa da soberania nacional e criticou indiretamente o adversário Flávio Bolsonaro (PL). Lula afirmou que representa um projeto que defende a bandeira brasileira, a soberania e as riquezas minerais do país. Também declarou que não permitirá a volta do bolsonarismo ao governo federal.
O ato ocorreu depois de uma caminhada pelo Centro de Fortaleza. Lula esteve acompanhado do governador e candidato à reeleição Elmano de Freitas (PT), além de aliados que disputam outras posições no Ceará, entre eles Cid Gomes e Luizianne Lins, candidatos ao Senado.
Lula volta a falar sobre Nossa Senhora Aparecida
Outro ponto central do discurso foi a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Lula afirmou respeitar diferentes religiões e declarou que, enquanto estiver na Presidência da República, a santa continuará sendo a padroeira do Brasil.
“Eu respeito todas as religiões. Eu respeito a católica, a evangélica, a religião de matriz africana, os ateus. Mas enquanto eu for presidente da República, Nossa Senhora Aparecida será padroeira do Brasil”, disse.
A declaração ocorre após a circulação de informações nas redes sociais atribuindo a Flávio Bolsonaro uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Flávio nega a acusação. A informação, porém, foi relacionada a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli, que propunha alterar o título para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A proposta foi arquivada em 2008 e não tem relação com Flávio Bolsonaro, segundo checagem publicada nesta terça-feira.
Na segunda-feira (28), durante comício em Belém, Lula já havia feito referência ao tema e afirmado que “ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida” enquanto estiver na Presidência.
Presidente mantém defesa do fim das bets
Lula também voltou a defender a medida provisória que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, conhecidas como bets. A MP foi assinada em 25 de setembro e estabelece um cronograma para a retirada das plataformas do mercado brasileiro.
Durante o ato, Lula afirmou que inicialmente tentou regulamentar o setor, mas avaliou que as medidas adotadas não foram suficientes para conter os impactos sociais associados às apostas. O presidente citou endividamento e dependência entre os motivos para defender uma medida mais rígida.
A proibição tem efeito imediato por meio da medida provisória, mas sua continuidade depende da tramitação no Congresso Nacional. O governo também iniciou uma operação de fiscalização contra plataformas consideradas irregulares. Até 27 de setembro, 506 sites haviam sido derrubados por uma força-tarefa dos Ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Fazenda.
Pelas regras divulgadas pelo governo, os sites e aplicativos de bets deverão sair do ar a partir de 6 de outubro. Apostadores têm até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente valores disponíveis nas plataformas, enquanto os saldos remanescentes deverão ser devolvidos posteriormente pelas instituições financeiras.
Lula também rebateu o argumento de que o fim das apostas poderia prejudicar financeiramente clubes de futebol. Durante o discurso, o presidente lembrou que o Brasil conquistou seus cinco títulos mundiais antes da expansão das casas de apostas no país.
Reta final da campanha
As declarações em Fortaleza concentraram a mensagem de campanha de Lula em três temas: defesa da democracia e da soberania nacional, combate às apostas on-line e aproximação com diferentes segmentos religiosos.
Após o compromisso no Ceará, a agenda anunciada pelo presidente inclui passagens por Salvador, Juiz de Fora, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo antes do primeiro turno.




