Niterói chegou a 18 meses sem registro de feminicídio e foi a única cidade com mais de 100 mil habitantes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro sem casos entre março de 2025 e agosto de 2026, segundo levantamento realizado a partir de dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) e das estimativas populacionais do IBGE para 2025.
A comparação considera os 22 municípios que integram oficialmente a Região Metropolitana. No mesmo período, a capital fluminense registrou 50 feminicídios. Duque de Caxias teve 12 casos e São Gonçalo, dez.
Nova Iguaçu, Magé, Maricá e São João de Meriti contabilizaram cinco casos cada. Petrópolis registrou quatro; Japeri, dois; enquanto Belford Roxo, Itaboraí, Itaguaí, Mesquita, Nilópolis e Queimados tiveram um caso cada.
Rede municipal mantém ações de prevenção
O período sem registros, segundo as informações apresentadas pelo município, é acompanhado por uma estrutura voltada à prevenção e ao atendimento de mulheres em situação de violência. Entre as iniciativas estão o programa Niterói por Elas, o aplicativo SOS Mulher e equipamentos especializados de acolhimento e proteção.
O prefeito Rodrigo Neves afirmou que a ausência de registros não significa que as ações de enfrentamento possam ser reduzidas.
“São 18 meses sem registros de feminicídio, mas esse dado não nos permite baixar a guarda. Cada mulher precisa saber que existe uma rede preparada para acolhê-la e ajudá-la a sair de uma situação de violência”, afirmou.
A estrutura municipal citada inclui os Núcleos de Acolhimento à Mulher (NUAMs), o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) Neuza Santos, a Sala Lilás, o Espaço Empreender Mulher e a Casa Acolher Bárbara Siqueira.
Auxílio financeiro integra estratégia de atendimento
Outra iniciativa é o Auxílio Social destinado a mulheres em situação de violência. Criado em 2021, o benefício tem valor mensal de R$ 1.621 e é associado a ações de capacitação profissional e geração de renda.
Segundo a secretária municipal da Mulher, Thaiana Ivia, a autonomia financeira pode ser um dos fatores considerados no atendimento às mulheres que enfrentam situações de violência.
“Muitas mulheres enfrentam dificuldades financeiras para romper uma relação violenta. Por isso, o auxílio social é uma parte essencial da nossa rede”, afirmou.
A pesquisadora e consultora Schuma Schumaher também defendeu a continuidade das medidas de prevenção e acolhimento. “Prevenir o feminicídio exige uma rede que funcione antes que a violência chegue ao ponto mais extremo”, disse.




