Os deputados federais André Janones e Lindbergh Farias intensificaram as cobranças para que eventuais relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e autoridades públicas sejam investigadas sem distinção de cargo ou posição política. Os parlamentares defendem que possíveis vínculos envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), deputados, senadores ou outras autoridades sejam submetidos ao mesmo rigor investigativo, respeitados o devido processo legal, a competência das autoridades e a presunção de inocência.
A manifestação ocorre após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos relacionados a mensagens envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Paralelamente, aliados do governo passaram a cobrar que o mesmo nível de publicidade seja aplicado ao inquérito conhecido como “Dark Horse”, que investiga recursos destinados à produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O procedimento está sob relatoria de Mendonça, que autorizou, em julho, a Polícia Federal a investigar os repasses relacionados ao projeto.
Janones e Lindbergh sustentam politicamente que não pode haver tratamento seletivo entre pessoas mencionadas nas apurações e defendem a divulgação dos elementos do caso “Dark Horse” que possam ser legalmente tornados públicos. A investigação envolve, entre outros pontos, pagamentos realizados por Daniel Vorcaro relacionados ao financiamento do longa-metragem. Flávio Bolsonaro já afirmou publicamente que os recursos tiveram como finalidade um projeto audiovisual privado e negou a existência de qualquer contrapartida ou irregularidade. A apuração permanece em andamento e, até o momento, sua existência não representa condenação ou comprovação de crime.
Em meio à disputa política, Lindbergh também passou a defender medidas contra Flávio Bolsonaro. Nesta quarta-feira (2), o deputado protocolou pedido no STF para que a Procuradoria-Geral da República analise medidas relacionadas ao mandato do senador. Janones e Lindbergh também defendem politicamente que Flávio deixe o Senado e abandone sua candidatura à Presidência. Essa cobrança, porém, representa uma posição dos parlamentares e não uma consequência jurídica automática da investigação: eventual afastamento, perda de mandato ou responsabilização depende dos procedimentos constitucionais e legais aplicáveis e de decisões das autoridades competentes.
O caso “Dark Horse” continua sob investigação da Polícia Federal. O próprio André Mendonça autorizou a abertura do inquérito depois de manifestação favorável da PF e da Procuradoria-Geral da República. A controvérsia agora também ganha dimensão política diante das cobranças para que informações envolvendo diferentes autoridades e grupos políticos sejam tratadas com critérios equivalentes de transparência e fiscalização.




