O Irã voltou a fechar o estratégico Estreito de Ormuz para o trânsito de navios comerciais, em um movimento que amplia a tensão no Oriente Médio e acende alerta no mercado global de energia. A medida, segundo a agência estatal Fars, foi adotada em resposta ao que Teerã classifica como violações de Israel ao cessar-fogo.
O governo iraniano também ameaçou romper a trégua e prometeu “punir” Israel por ataques recentes ao Hezbollah em território libanês. Fontes ligadas às Forças Armadas afirmaram que alvos já estão sendo identificados para uma possível retaliação.
Ataques ampliam risco de conflito regional
A escalada ocorre em meio a uma série de ataques atribuídos ao Irã contra países do Golfo, mesmo após a entrada em vigor do cessar-fogo. Catar, Kuwait e Arábia Saudita relataram ações com drones e mísseis. O Catar afirmou ter interceptado projéteis, enquanto autoridades sauditas disseram que um oleoduto foi atingido. Já o Kuwait registrou danos materiais significativos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Líbano não faz parte do acordo de cessar-fogo. “Por causa do Hezbollah, nós não incluímos o Líbano no cessar-fogo, e o Irã sabe disso”, afirmou.
Bombardeios no Líbano agravam crise humanitária
No Líbano, o primeiro-ministro Nawaf Salam acusou Israel de atacar áreas densamente povoadas e desrespeitar os esforços internacionais por paz. O Ministério da Saúde libanês informou que os bombardeios deixaram centenas de vítimas, entre mortos e feridos, e pediu a liberação das ruas de Beirute para facilitar o atendimento de emergência.
Israel afirmou ter realizado a maior ofensiva contra o Hezbollah desde o início da guerra, atingindo mais de 100 alvos, incluindo centros de comando e instalações militares. O governo israelense sustenta que o grupo utiliza áreas civis como escudo humano.
Trégua fragilizada e negociações sob pressão
O cessar-fogo foi mediado pelo Paquistão e previa negociações entre iranianos e norte-americanos em Islamabad. No entanto, a exclusão do Líbano do acordo e a retomada de ataques colocam em risco qualquer avanço diplomático.
Antes da trégua, Trump havia ameaçado atacar estruturas estratégicas do Irã caso não houvesse acordo. Posteriormente, recuou e condicionou a suspensão das ofensivas à reabertura do Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, chegou a afirmar que a navegação seria retomada sob coordenação de Teerã. O novo fechamento, porém, sinaliza um endurecimento da posição iraniana e aumenta o risco de impacto direto nos preços do petróleo e na economia global.
Mesmo com a trégua formalmente em vigor, os desdobramentos indicam que o conflito segue longe de uma solução e com potencial de escalada ainda maior.


