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Economia

IPCA cai 0,32% em agosto, primeira deflação do ano é puxada por forte queda na conta de luz

Expresso Rio
Imagem: Divulgação
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A inflação oficial brasileira entrou em terreno negativo em agosto. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,32% no mês, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (11). A queda foi fortemente influenciada pela redução nas tarifas de energia elétrica, que ajudou a diminuir a pressão sobre o índice.

O resultado representa a primeira deflação mensal desde agosto do ano passado, quando o IPCA havia registrado queda de 0,11%. Em julho deste ano, o indicador havia avançado 0,07%. No acumulado de 2026, a inflação registra alta de 3,11%, enquanto, em 12 meses, o índice chegou a 4,22%.

A energia elétrica residencial foi o principal fator responsável pelo resultado de agosto. As tarifas recuaram 7,63% e, sozinhas, retiraram 0,33 ponto percentual do IPCA. Com isso, o grupo Habitação apresentou queda de 1,87%, o menor resultado registrado para um mês de agosto desde a implantação do Plano Real, segundo o IBGE.

A redução das tarifas está relacionada ao Bônus de Itaipu. No início de julho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a distribuição de R$ 872 milhões referentes ao benefício de 2025. O valor resulta do saldo positivo da conta de comercialização da usina hidrelétrica de Itaipu, controlada por Brasil e Paraguai, e é repassado aos consumidores na forma de crédito diretamente na fatura de energia.

O benefício alcança consumidores que registraram pelo menos um mês com consumo inferior a 350 quilowatts-hora (kWh) durante 2025. O crédito ajudou a reduzir temporariamente o valor das contas de luz e, consequentemente, teve impacto significativo sobre o IPCA de agosto.

O efeito do bônus, porém, é temporário. Com o fim do crédito extraordinário, as tarifas tendem a retornar aos valores habituais, o que pode voltar a pressionar o índice no mês seguinte. Por isso, a deflação registrada em agosto, isoladamente, não indica necessariamente uma mudança definitiva na trajetória da inflação brasileira.

Entre os fatores que permanecem no radar estão os preços dos serviços e dos alimentos. Eventuais problemas na produção agrícola provocados por fenômenos climáticos associados ao El Niño também podem exercer pressão sobre os preços. Os combustíveis são outro ponto de atenção, especialmente diante da evolução das cotações internacionais do petróleo.

O mercado de trabalho e eventuais medidas governamentais capazes de estimular a demanda também fazem parte das avaliações sobre o comportamento da inflação. O cenário deverá ser acompanhado pelo Banco Central, que está em processo de flexibilização da política monetária.

Desde março, o Banco Central conduz um ciclo de redução da taxa básica de juros, com cortes graduais na Selic, atualmente em 14% ao ano. A velocidade das próximas reduções dependerá, entre outros fatores, da evolução dos preços e das expectativas de inflação para os meses seguintes.