INSS: empresário confessa fraudes e fecha delação com a PF

Expresso Rio
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Imagem: Reprodução

A investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganhou um novo desdobramento após o empresário Maurício Camisotti confessar participação no esquema e firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Segundo informações apuradas, o caso envolve descontos indevidos aplicados sobre aposentadorias e pensões, com movimentação financeira bilionária.

De acordo com a apuração, Camisotti está preso desde setembro e já prestou depoimentos às autoridades. O acordo firmado foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que será responsável por avaliar os termos e decidir sobre a validade jurídica da delação.

A expectativa da defesa é que, com a colaboração, o empresário obtenha benefícios legais, como a possibilidade de cumprir pena em regime domiciliar. Ainda não há confirmação oficial sobre eventual decisão judicial.

Esquema teria movimentado mais de R$ 1 bilhão

Segundo as investigações, o empresário controlava três entidades que teriam faturado mais de R$ 1 bilhão desde 2021 com a cobrança de mensalidades consideradas irregulares. Apenas no último ano, essas organizações teriam arrecadado cerca de R$ 580 milhões.

As apurações indicam que os descontos eram aplicados diretamente nos benefícios previdenciários sem autorização clara dos segurados. A prática teria atingido milhares de aposentados e pensionistas, gerando uma série de ações judiciais contra as entidades envolvidas.

As investigações apontam que o modelo de atuação envolvia a filiação indevida de beneficiários a associações, o que permitia a cobrança automática dos valores.

Caso veio à tona após série de reportagens

O escândalo envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social foi revelado publicamente no fim de 2023, após uma série de reportagens que detalharam o crescimento expressivo das receitas dessas entidades.

Conforme as publicações, a arrecadação com os descontos chegou a cerca de R$ 2 bilhões em um único ano. Paralelamente, aumentava o número de processos judiciais relacionados a fraudes nas filiações.

As reportagens também contribuíram para a abertura de investigações por parte da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), que passaram a aprofundar a análise sobre o funcionamento dessas associações.

Operação resultou em mudanças no alto escalão

As apurações culminaram na deflagração da Operação Sem Desconto, realizada em abril, que teve como objetivo desarticular o esquema. Segundo informações das autoridades, a investigação reuniu dezenas de reportagens e documentos que indicavam irregularidades no sistema.

O avanço das investigações também provocou impactos políticos. Conforme divulgado à época, o caso resultou na saída do então presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

As autoridades seguem analisando os elementos apresentados na delação, que podem contribuir para identificar outros envolvidos e detalhar a estrutura do esquema. Enquanto isso, o caso permanece sob investigação, com novos desdobramentos sendo aguardados nos próximos dias.

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