A mineradora russa Polyus anunciou um plano de expansão que poderá praticamente dobrar sua produção de ouro até 2030. Segundo projeções divulgadas pela própria companhia, a produção anual do grupo poderá alcançar cerca de 6 milhões de onças, equivalentes a aproximadamente 187 toneladas de ouro, após a entrada em operação de novos projetos minerais. Caso a previsão se concretize, a empresa estima alcançar a posição de segunda maior produtora de ouro do mundo.
A estratégia de crescimento está concentrada principalmente nos projetos Sukhoi Log, Chulbatkan e Chertovo Koryto, localizados em diferentes regiões da Rússia. De acordo com informações corporativas da Polyus, Chulbatkan, no território de Khabarovsk, e Chertovo Koryto, na região de Irkutsk, têm início de produção projetado para 2029. As previsões, entretanto, representam metas empresariais e estão sujeitas a fatores como investimentos, licenciamento, execução das obras, condições do mercado internacional e eventuais alterações no cronograma.
A expansão ocorre em um cenário de forte valorização internacional do ouro. Dados do World Gold Council mostram que o metal avançou cerca de 25,5% em dólares durante 2024, impulsionado, entre outros fatores, pela demanda de investidores e bancos centrais, além das incertezas geopolíticas e da volatilidade dos mercados. Em 2025, o mercado permaneceu aquecido, com a produção mundial de ouro também atingindo níveis historicamente elevados.
A Rússia permanece entre os maiores produtores mundiais do metal. O U.S. Geological Survey (USGS) estimou a produção russa em aproximadamente 310 toneladas em 2025, atrás da China, com cerca de 380 toneladas. O levantamento norte-americano também estimou as reservas minerais russas de ouro em aproximadamente 12 mil toneladas. Esses números diferem de outras estimativas divulgadas no mercado, razão pela qual devem ser considerados de acordo com a metodologia adotada por cada instituição.
Além de seu peso econômico, o ouro ganhou maior importância estratégica nos últimos anos por ser utilizado como ativo de reserva por bancos centrais e investidores em períodos de instabilidade. O avanço dos projetos da Polyus poderá, portanto, ampliar a participação russa na oferta internacional do metal. A efetiva dimensão desse crescimento, porém, dependerá da conclusão dos empreendimentos anunciados e das condições econômicas e geopolíticas até o final da década.




