Fungo zumbi em aranhas é descoberto por cientistas no Brasil

Expresso Rio
3 min de leitura
Imagem: Arquivo dos pesquisadores

A descoberta de um fungo zumbi em aranhas brasileiras tem chamado a atenção da comunidade científica após pesquisadores identificarem uma nova espécie capaz de alterar o comportamento de seus hospedeiros. O achado ocorreu em áreas florestais da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, e foi divulgado recentemente em publicação científica.

Batizado de Gibellula mineira, o fungo infecta aranhas e interfere diretamente em suas ações, levando os animais a um comportamento considerado atípico fenômeno popularmente associado ao termo “zumbi”. Segundo informações divulgadas pela universidade, o mecanismo é semelhante ao observado em outros fungos que parasitam insetos.

Descoberta aconteceu durante pesquisa acadêmica

De acordo com a apuração, a identificação do novo organismo ocorreu durante o mestrado da pesquisadora Aline dos Santos, com orientação de especialistas da UFV. Inicialmente, o objetivo do estudo era analisar mudanças comportamentais em aranhas, mas a investigação acabou revelando algo inédito.

As coletas foram realizadas ao longo de 2024. Após análises detalhadas incluindo comparações com espécies já catalogadas e estudos genéticos os pesquisadores confirmaram que se tratava de uma espécie ainda não registrada pela ciência.

Os resultados foram publicados na revista científica Fungal Biology em março deste ano, reforçando a relevância da descoberta para a área da biologia.

Imagem: Arquivo dos pesquisadores / Imagens mostram aranhas com (as de baixo) e sem os fungos (as de cima)

Como o fungo zumbi age nas aranhas

Segundo os pesquisadores, o Gibellula mineira atua infectando aranhas da espécie Iguarima censoria. Uma vez contaminado, o animal passa a apresentar alterações no comportamento, o que favorece a reprodução e disseminação do fungo.

Dados iniciais indicam que cerca de 25% da população analisada dessas aranhas já estava infectada. Outro ponto que chamou atenção foi o fato de aranhas menores apresentarem maior probabilidade de serem parasitadas.

Conforme comunicado da universidade, esse padrão foi considerado inesperado e levanta novas questões científicas sobre a interação entre o fungo e seus hospedeiros.

Descoberta amplia entendimento sobre fungos na natureza

Apesar do termo “fungo zumbi” despertar curiosidade e até preocupação, especialistas ressaltam que esse tipo de mecanismo ocorre naturalmente apenas em insetos e aracnídeos, não representando risco para seres humanos.

A descoberta contribui para o avanço do conhecimento sobre relações ecológicas e parasitárias, além de demonstrar que ambientes aparentemente comuns como áreas de um campus universitário ainda podem revelar novas espécies.

De acordo com os pesquisadores, o estudo também reforça a importância da preservação ambiental e da continuidade de pesquisas científicas no Brasil, especialmente em áreas de biodiversidade rica.

Enquanto os estudos seguem em andamento, a descoberta do Gibellula mineira abre caminho para novas investigações sobre o comportamento de fungos e sua influência sobre outros organismos na natureza.

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