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Polícia

Ex-agente de jogador do Vasco foi preso em imóvel do atleta e é apontado pela polícia como chefe do tráfico no ES

Expresso Rio
David Corrê, jogador do Vasco / Matheus Lima /CRVG
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Édson Vander da Silva Júnior, de 32 anos, ex-agente do atacante David Corrêa, conhecido como DVD, do Vasco da Gama, foi preso em agosto de 2024 em um apartamento de luxo pertencente ao jogador, em Vila Velha, no Espírito Santo. Segundo a Polícia Civil capixaba, Édson é apontado como integrante de um grupo ligado ao tráfico de drogas em Serra Dourada 3, na Serra, na Grande Vitória, e teria assumido posição de comando na região ao lado de Ruan de Freitas Camargo Cruz.

De acordo com os investigadores, além da relação pessoal com David, Édson atuava na administração da carreira e das finanças do jogador. A prisão ocorreu no contexto de uma investigação sobre uma tentativa de homicídio registrada em março de 2024. A Polícia Civil sustenta que o episódio estaria relacionado a uma disputa envolvendo o tráfico de drogas na região. As conclusões mencionadas são atribuições da investigação policial e não devem ser interpretadas como condenação judicial definitiva dos investigados.

As apurações envolvendo Édson contribuíram posteriormente para o avanço da Operação A Tropa, deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo para investigar uma organização suspeita de tráfico interestadual de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro. O atacante David Corrêa e o lateral-direito Hayner Cordeiro, atualmente no Vila Nova, estiveram entre os alvos de mandados de busca e apreensão. Ser alvo desse tipo de medida judicial, por si só, não significa que o investigado tenha praticado os crimes apurados.

Polícia aponta disputa pelo tráfico

Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Serra, Édson e Ruan teriam assumido o controle do tráfico em Serra Dourada 3 após a morte de um homem conhecido como Leleto. A investigação atribui à dupla participação na negociação de drogas, armas e munições.

O delegado também afirmou que Édson exercia funções relacionadas à gestão financeira e profissional de David. Essa proximidade passou a receber maior atenção dos investigadores depois da prisão do ex-agente e da análise de dados encontrados em seu aparelho celular, procedimento realizado no âmbito da investigação.

Mensagens passaram a ser analisadas

Entre os elementos citados pela Polícia Civil estão conversas atribuídas a David e Édson. Segundo os investigadores, após uma tentativa de homicídio, Édson teria informado ao atleta detalhes sobre o estado de saúde da vítima. Em resposta, David teria escrito que o homem “mereceu tomar uns tiros mesmo”. Em outra conversa apresentada pela investigação, após receber a fotografia de uma arma, o jogador teria respondido: “Tem que matar um para ver de qual é”.

A Polícia Civil também informou ter identificado um áudio atribuído a Ruan no qual haveria um pedido de dinheiro relacionado à substituição de um veículo que teria sido utilizado na tentativa de homicídio. Segundo a investigação, a mensagem teria sido encaminhada por Édson a David três dias depois do crime. Os investigadores analisam esses conteúdos para determinar se existiu alguma participação financeira ou outra forma de colaboração com o grupo investigado. As mensagens, isoladamente, não representam uma condenação e precisam ser avaliadas dentro do conjunto de provas e submetidas ao contraditório e à ampla defesa.

Operação cumpriu mandados em diferentes estados

A Operação A Tropa cumpriu mandados em diferentes pontos do país, incluindo endereços no Rio de Janeiro e instalações relacionadas aos atletas investigados. Houve diligências na Barra da Tijuca, em Vargem Grande e no Centro de Treinamento do Vasco, em Jacarepaguá. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, os clubes onde ocorreram buscas não são apontados como integrantes do esquema investigado e colaboraram com as autoridades durante o cumprimento das ordens judiciais.

A ação previa quatro mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão, com diligências em diferentes unidades da Federação. A investigação prossegue para esclarecer a eventual responsabilidade individual de cada pessoa citada. No caso dos jogadores submetidos às buscas, eventuais suspeitas ainda dependem do avanço das apurações, e devem ser observados o contraditório, a ampla defesa e o princípio constitucional da presunção de inocência.