Dólar recua com tensão no Oriente Médio e mercado atento ao ultimato de Trump sobre Ormuz

Expresso Rio
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Dólar recua com tensão no Oriente Médio e mercado atento ao ultimato de Trump sobre Ormuz

O dólar iniciou a sessão desta terça-feira (7) em leve queda, refletindo um ambiente de cautela no mercado diante da escalada das tensões no Oriente Médio. Por volta das 9h01, a moeda estadunidense recuava 0,14%, sendo negociada a R$ 5,1390. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem abertura prevista para as 10h, em um cenário ainda marcado por incertezas externas.

O comportamento dos ativos ocorre em meio a um momento decisivo no conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e aliados na região. Termina nesta noite o prazo estabelecido pelo presidente dos EUA Donald Trump para que Teerã reabra o estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

Petróleo em alta e pressão global

A proximidade do prazo e o risco de agravamento do conflito têm impacto direto sobre o mercado internacional de energia. Na manhã desta terça, o barril do petróleo tipo Brent registrava alta de 0,60%, sendo negociado a US$ 110,39, mantendo-se próximo de um patamar considerado elevado.

Na véspera, Trump afirmou que a reabertura de Ormuz é uma “prioridade muito grande”, sinalizando mudança de postura em relação a declarações anteriores, quando o tema não figurava entre os principais pontos das negociações.

A valorização do petróleo amplia o risco de pressão inflacionária global, afetando custos de transporte, produção e energia em diferentes países.

Governo reage com pacote emergencial

No Brasil, o avanço do preço do petróleo levou o governo federal a anunciar um conjunto de medidas para reduzir os impactos sobre combustíveis e setores sensíveis da economia. O pacote terá validade inicial entre abril e maio e prevê custo estimado de R$ 4 bilhões, sendo metade financiada pela União e o restante dividido entre estados e o Distrito Federal.

Entre as ações, está a subvenção ao diesel, com desconto de R$ 1,20 por litro — sendo R$ 0,60 custeado pelo governo federal e R$ 0,60 pelos estados. Somado a um subsídio anterior de R$ 0,32, o desconto total chega a R$ 1,52 por litro.

O plano também inclui medidas para conter o impacto sobre o gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, e o querosene de aviação (QAV), além da criação de linhas de crédito para o setor aéreo.

Uma das iniciativas prevê zerar a cobrança de PIS/Cofins para companhias aéreas, gerando economia de cerca de R$ 0,07 por litro de combustível. Também será prorrogado o pagamento de tarifas de navegação aérea, que passarão a ser quitadas apenas em dezembro.

Além disso, foi anunciada uma linha de crédito com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), com limite de até R$ 2,5 bilhões por empresa, voltada à reestruturação financeira das companhias.

Impasse diplomático e risco de escalada

No campo internacional, as negociações para um cessar-fogo seguem indefinidas. Um plano mediado pelo Paquistão chegou a ser apresentado, prevendo uma trégua inicial seguida de negociações mais amplas. A proposta incluía a reabertura de Ormuz e possíveis concessões relacionadas ao programa nuclear iraniano.

No entanto, o Irã rejeitou os termos iniciais e apresentou uma contraproposta, defendendo o fim definitivo do conflito em vez de uma pausa temporária nas hostilidades. O governo iraniano avalia que uma trégua poderia abrir espaço para novos ataques.

Enquanto isso, o presidente dos EUA elevou o tom das declarações e chegou a ameaçar ataques contra infraestrutura iraniana, incluindo pontes e usinas de energia, caso não haja acordo.

A reação de Teerã foi imediata, classificando as ameaças como agressivas e prometendo retaliação. O conflito já se expandiu para outros pontos da região, envolvendo também Israel e países do Golfo.

Impactos na economia brasileira

A alta do petróleo já tem reflexos diretos no Brasil, especialmente no setor de combustíveis e no transporte aéreo. A Petrobras promoveu reajustes que ultrapassam 50% no preço do querosene de aviação, pressionando os custos das companhias e elevando o risco de aumento nas passagens, que podem subir até 20%.

O encarecimento do diesel também impacta o transporte de cargas e a cadeia produtiva, com potencial de influenciar a inflação nos próximos meses.

O cenário já se reflete nas projeções econômicas. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, analistas elevaram pela quarta semana consecutiva a estimativa de inflação para 2026, agora em 4,36%, puxada principalmente pela alta do petróleo.

Apesar disso, o mercado mantém a expectativa de queda da taxa básica de juros, atualmente em 14,75% ao ano, com projeção de 12,5% ao fim de 2026. As previsões para o crescimento do PIB permanecem estáveis em 1,85%, enquanto o dólar é estimado em R$ 5,40 no mesmo período.

Mercados globais acompanham negociações

No exterior, os mercados financeiros reagiram de forma moderada às tensões. Em Wall Street, os principais índices encerraram o último pregão em alta, impulsionados pela expectativa de avanço nas negociações diplomáticas.

O índice Dow Jones subiu 0,35%, o S&P 500 avançou 0,45% e o Nasdaq registrou alta de 0,54%. Na Ásia, os mercados tiveram desempenho misto, com investidores divididos entre o risco geopolítico e a possibilidade de acordo.

O índice Nikkei, do Japão, avançou 0,55%, enquanto o KOSPI, da Coreia do Sul, subiu 1,36%.

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