O Conselho de Segurança da ONU rejeitou, nesta terça-feira (7), uma resolução que autorizaria o uso da força para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo.
A proposta, apresentada pelo Bahrein, previa que países pudessem adotar “todos os meios defensivos necessários” para proteger navios comerciais na região. No entanto, o texto enfrentou forte resistência de membros permanentes do conselho e acabou vetado por Rússia e China, mesmo após alterações que suavizaram seu caráter obrigatório.
Vetos e impasse diplomático
Inicialmente, a resolução também enfrentava oposição da França, que acabou recuando após negociações diplomáticas que flexibilizaram o conteúdo do documento. Ainda assim, Moscou e Pequim mantiveram posição contrária.
O embaixador da Rússia criticou a proposta por considerar que ela condenava apenas as ações iranianas, classificando o texto como desequilibrado e impreciso. Já a China justificou o veto afirmando ser contrária ao uso da força, além de considerar inadequado votar a medida no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez ameaças contundentes ao Irã.
Apesar do bloqueio, diplomatas russos e chineses indicaram que pretendem apresentar uma nova proposta ao Conselho de Segurança, na tentativa de encontrar uma solução consensual para a crise.
Importância estratégica de Ormuz
O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente, o que o torna um ponto crítico para a economia mundial. O bloqueio quase total da passagem pelo Irã provocou impactos imediatos nos preços internacionais do petróleo e do gás.
A versão final do projeto de resolução condenava ataques iranianos a navios e incentivava países a coordenarem ações defensivas proporcionais, incluindo escoltas a embarcações comerciais. O texto também exigia que o Irã cessasse imediatamente qualquer tentativa de impedir a livre navegação.
Escalada militar e ameaças
A votação ocorreu em meio a um dos dias mais tensos da guerra no Oriente Médio. Horas antes do fim de um ultimato dado pelos Estados Unidos para a reabertura do estreito, ataques militares se intensificaram na região.
O presidente Donald Trump voltou a ameaçar o Irã, afirmando que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso o país não reabra a via marítima. Antes mesmo do prazo expirar, forças americanas atacaram a ilha de Kharg, principal centro de armazenamento de petróleo iraniano.
Israel também ampliou suas ofensivas, atingindo infraestrutura estratégica em diversas cidades iranianas, incluindo pontes, aeroportos e instalações industriais. Explosões foram registradas em Teerã, com vítimas fatais confirmadas pela mídia local.
Reação iraniana
Em resposta, o Irã elevou o tom e convocou sua população a proteger instalações estratégicas. Autoridades do país afirmaram que não irão reabrir o Estreito de Ormuz em troca de “promessas vazias” e ameaçaram ampliar o conflito.
Segundo declarações à agência Reuters, o regime iraniano cogita fechar também o estreito de Bab el-Mandeb e advertiu que poderá provocar um colapso energético na região caso suas usinas sejam atacadas.
Negociações continuam
A votação da resolução havia sido adiada anteriormente para permitir negociações entre diplomatas, mas o impasse persiste. Com o fracasso da proposta, o Conselho de Segurança segue dividido diante de uma crise que combina riscos militares e impactos globais no abastecimento energético.


