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Esportes

Clubes da elite avaliam parar o Campeonato Brasileiro após MP que proibiu bets

Expresso Rio
Imagem: Divulgação
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Clubes da elite do futebol brasileiro passaram a discutir a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro em reação à Medida Provisória (MP) 1.394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. A hipótese ainda está em discussão entre dirigentes e não há decisão anunciada de interrupção do campeonato.

Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a possibilidade de paralisação surgiu durante as articulações dos clubes após o cancelamento de uma reunião que seria realizada com representantes do governo federal. Os dirigentes defendem um período de transição para que as equipes possam reorganizar contratos, receitas e compromissos previstos para 2026 e 2027.

O impacto financeiro dos patrocínios de empresas de apostas ajuda a explicar a reação. Em 2025, os clubes da Série A receberam aproximadamente R$ 1,03 bilhão em patrocínios de bets, segundo levantamento da consultoria Convocados citado pela Folha. O valor representou crescimento de cerca de 66% em relação aos R$ 618 milhões registrados em 2024.

Apesar do volume, os patrocínios das bets corresponderam a aproximadamente 7,2% das receitas totais dos clubes da Série A, que somaram R$ 14,3 bilhões em 2025. Atualmente, 14 dos 20 clubes da primeira divisão possuem empresas de apostas como patrocinadoras principais.

A MP determina a proibição da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos on-line. A medida também alcança operações estaduais e distritais de apostas de quota fixa e estabelece regras para o encerramento das atividades.

Governo discute alternativa financeira

O governo federal passou a discutir alternativas para reduzir o impacto financeiro da medida sobre os clubes. Entre as possibilidades está uma linha de crédito com condições mais favoráveis, enquanto os dirigentes defendem uma transição que permita a reorganização dos contratos de patrocínio.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, havia afirmado que o governo pretendia ouvir clubes e confederações para dimensionar os efeitos da proibição antes de definir eventuais medidas de apoio financeiro.

Na segunda-feira (28), Lula voltou a defender a proibição e afirmou que o fim das bets não representaria prejuízo para o futebol brasileiro. O presidente citou períodos de sucesso de clubes e da seleção brasileira anteriores à existência do mercado de apostas esportivas no país.

CBF é pressionada a participar das negociações

A discussão também aumentou a pressão sobre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Os clubes querem que a entidade tenha participação mais ativa nas conversas com o governo e atue como interlocutora nas negociações.

A CBF também possui contrato de patrocínio com uma empresa do setor. Segundo a Folha, o governo acionou a confederação para intermediar as conversas com clubes das Séries A, B, C e D.

Até o momento, porém, não existe decisão oficial de paralisação do Brasileirão. A eventual interrupção permanece como uma possibilidade discutida pelos dirigentes enquanto clubes, governo e entidades esportivas avaliam os efeitos da MP.

A medida provisória ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. Paralelamente, entidades que representam empresas de apostas afirmaram que pretendem recorrer à Justiça contra a proibição e questionar os efeitos da medida.