Casos graves de gripe no Brasil em 2026 já são o dobro do registrado no mesmo período do ano passado

Expresso Rio
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Casos graves de gripe no Brasil em 2026 já são o dobro do registrado no mesmo período do ano passado

A temporada de gripe começou mais cedo no Brasil em 2026 e já apresenta sinais de agravamento em relação ao ano anterior. Levantamento do Instituto Todos pela Saúde, reportado pelo jornal O Globo, indica que os casos graves da doença, aqueles que evoluem para Síndrome Respiratória Aguda Grave, dobraram nas primeiras semanas do ano.

De acordo com os dados, nas 11 primeiras semanas epidemiológicas, encerradas em 21 de março, foram registrados 3.681 casos de SRAG causados pelo vírus Influenza. No mesmo período de 2025, haviam sido contabilizados 1.838 registros, o que representa um aumento de 100,3%.

Avanço antecipado do vírus

Segundo o instituto, o cenário já era esperado devido ao comportamento recente do vírus em escala global. A circulação do Influenza começou mais cedo no hemisfério Norte e esse padrão tem se repetido no Brasil.

“A circulação do vírus começou antes do outono no hemisfério Norte, e um padrão semelhante agora se repete no Brasil. Isso pode ter relação com a circulação de variantes específicas do influenza A, como o subclado K, identificado no país desde o fim de 2025”, diz em nota.

A antecipação da temporada aumenta a pressão sobre o sistema de saúde e exige respostas mais rápidas das autoridades, especialmente no que diz respeito à organização da rede de atendimento.

Importância do monitoramento global

Especialistas destacam que o acompanhamento internacional do vírus é fundamental para prever cenários e preparar o país para possíveis surtos.

“Acompanhar o que acontece em outros países ajuda a antecipar riscos e entender o que pode chegar por aqui. Na prática, isso permite se preparar antes que os casos aumentem – por exemplo, organizando a rede de saúde e ampliando a capacidade de atendimento (…) Nunca é demais reforçar: a vacinação segue sendo a principal forma de prevenção contra a gripe”.

O monitoramento contínuo permite identificar variantes em circulação e ajustar estratégias de resposta, incluindo campanhas de vacinação e medidas de prevenção.

Vacinação é principal forma de prevenção

Diante do avanço da doença, o Brasil iniciou a campanha nacional de vacinação contra a gripe no dia 28 de março. A imunização é voltada a grupos prioritários, considerados mais vulneráveis a complicações.

Podem se vacinar crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos com 60 anos ou mais e gestantes. Também estão incluídos puérperas, povos indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, trabalhadores da saúde e professores.

Outros grupos contemplados são profissionais das forças de segurança, das Forças Armadas, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, portuários e dos Correios, além de pessoas com deficiência permanente e indivíduos com doenças crônicas.

A campanha também abrange pessoas privadas de liberdade, funcionários do sistema prisional e jovens em medidas socioeducativas.

Possibilidade de ampliação da campanha

Ao longo da vacinação, municípios que registrarem sobra de doses poderão ampliar a oferta para outros públicos. Além disso, quem não integra os grupos prioritários pode buscar a imunização na rede privada.

A principal diferença é que a vacina disponível em clínicas particulares é tetravalente, ou seja, protege contra um número maior de cepas do vírus da gripe em comparação à versão oferecida no sistema público.

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