O acordo entre Brasil e Estados Unidos para combater o crime organizado foi oficializado e marca um novo passo na cooperação internacional contra o tráfico de armas e drogas. A iniciativa, chamada de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), une a Receita Federal brasileira e a U.S. Customs and Border Protection em ações coordenadas de fiscalização e inteligência.
Segundo informações do Ministério da Fazenda, a parceria surge como desdobramento de diálogos recentes entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, com foco em ampliar a segurança e reduzir a atuação de organizações criminosas transnacionais.
De acordo com o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, a medida representa um avanço relevante na cooperação bilateral. “Hoje marca o primeiro passo relevante para avançar na cooperação no combate ao crime organizado entre os nossos dois países”, afirmou.
Monitoramento remoto amplia fiscalização internacional
Um dos principais destaques do acordo Brasil EUA contra o crime organizado é a implementação da tecnologia conhecida como remote targeting (alvo remoto). O sistema permite que autoridades americanas realizem uma análise prévia de cargas destinadas ao Brasil, ainda nos pontos de origem.
O processo funciona por meio de três etapas principais:
- Captação de imagens digitais, semelhantes a um raio-X, nos terminais internacionais
- Cruzamento dessas imagens com dados de inteligência dos Estados Unidos
- Compartilhamento contínuo das informações com a Receita Federal brasileira
Na prática, isso significa que cargas suspeitas podem ser identificadas antes mesmo de chegarem ao território nacional. Conforme apuração, o modelo reduz a necessidade de inspeções físicas extensas e aumenta a precisão das ações de fiscalização.
A tecnologia também elimina a dependência de deslocamentos frequentes de equipes, permitindo atuação integrada e em tempo real entre os dois países.
Programa Desarma mira rastreamento de armas ilegais
Além do monitoramento digital, o acordo inclui a criação do Programa Desarma, um sistema voltado ao rastreamento internacional de armas, munições e materiais sensíveis.
Segundo informações oficiais, sempre que houver apreensão de produtos de origem americana no Brasil, os dados serão inseridos em uma base compartilhada. Entre as informações registradas estão:
- Números de série
- Origem da carga
- Rotas logísticas
O objetivo é identificar padrões e mapear redes criminosas responsáveis pelo desvio desses materiais para o mercado ilegal.
Em contrapartida, autoridades americanas também irão alimentar o sistema com dados de mercadorias brasileiras interceptadas nos Estados Unidos, fortalecendo o intercâmbio de inteligência.
Troca de dados seguirá protocolos de segurança
O Ministério da Fazenda informou que todo o fluxo de dados previsto no acordo Brasil EUA contra o crime organizado seguirá normas internacionais de privacidade e segurança.
Conforme nota oficial, as informações compartilhadas — que podem incluir dados de exportadores e remetentes — serão utilizadas exclusivamente para gestão de riscos e controle aduaneiro. O sistema será rastreável e operará dentro de protocolos sigilosos.
Ainda de acordo com o governo, a iniciativa amplia a capacidade de atuação do Estado brasileiro não apenas em portos e aeroportos, mas também em remessas postais e operações especiais de fiscalização.
Com a integração tecnológica e o compartilhamento de inteligência, autoridades buscam aumentar a eficiência no combate ao crime organizado, especialmente em atividades ligadas ao tráfico internacional de armas e drogas.


