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Brasil

Bets ampliam impactos sobre saúde mental e relações familiares de mulheres brasileiras, aponta pesquisa

Por 3 min de leitura Expresso Rio
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O avanço das plataformas de apostas esportivas e jogos online no Brasil tem provocado preocupações que ultrapassam as perdas financeiras e alcançam a saúde mental e as relações familiares. Segundo dados divulgados pela pesquisa “Mulheres e Bets”, 42% das mulheres brasileiras afirmam apostar ou já ter realizado algum tipo de aposta. O levantamento aponta relatos de ansiedade, crises de pânico, sintomas depressivos, comportamento compulsivo e conflitos dentro de casa associados à prática, especialmente nos casos em que o jogo passa a comprometer a rotina e o orçamento familiar.

De acordo com Mariana Ribeiro, diretora do Estúdio Clarice, fatores econômicos e sociais contribuíram para a expansão das apostas no país nos últimos anos. Na avaliação da especialista, o período da pandemia, combinado ao aumento do custo de vida, ao desemprego e à divulgação de possibilidades de ganhos rápidos, criou um ambiente favorável ao crescimento desse mercado. Entre as mulheres ouvidas pelo estudo, a busca por recursos para despesas pessoais ou familiares aparece como uma das motivações relacionadas às apostas.

A pesquisa também indica que mulheres com filhos estariam mais expostas a esse comportamento. Conforme os dados apresentados pelo levantamento, mães apostam 1,6 vez mais do que mulheres sem filhos. Os responsáveis pelo estudo relacionam esse cenário, entre outros fatores, às pressões financeiras e às responsabilidades assumidas por muitas mulheres como cuidadoras e provedoras de suas famílias. O dado, porém, representa uma associação encontrada na pesquisa e não significa, isoladamente, que a maternidade seja causa direta do envolvimento com apostas.

Outro ponto destacado pelo levantamento é o possível impacto das apostas sobre os vínculos familiares. Foram mencionados episódios de perda de confiança, discussões e situações de violência em contextos relacionados ao endividamento ou ao comportamento compulsivo. Esses relatos não permitem concluir que as apostas sejam responsáveis, por si só, por todos esses episódios, mas reforçam a necessidade de atenção aos efeitos sociais e emocionais associados ao uso problemático dessas plataformas.

Mariana Ribeiro também chama atenção para o papel da publicidade e da presença constante das casas de apostas no cotidiano. Segundo ela, a ampla exposição das marcas pode contribuir para uma percepção de normalidade em torno da prática. Para a especialista, qualquer estratégia de prevenção e enfrentamento dos problemas relacionados às apostas no Brasil deve considerar especialmente as mulheres, tanto pela exposição aos impactos apontados no estudo quanto pelo papel que exercem na organização financeira e familiar de muitos lares.

A discussão ocorre em meio ao crescimento do mercado de apostas no país e ao debate sobre mecanismos de publicidade responsável, prevenção ao jogo problemático, proteção dos consumidores e acesso a informações sobre os riscos envolvidos. Especialistas defendem que campanhas de conscientização, instrumentos de controle e suporte adequado às pessoas que apresentem sinais de dependência sejam tratados como parte das políticas de redução de danos relacionadas ao setor.

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