Artemis II enfrenta reentrada crítica e testa limites da NASA

Expresso Rio
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Imagem: Reprodução

A missão Artemis II, conduzida pela NASA, entra nesta fase em um dos momentos mais críticos de toda a operação: a reentrada na atmosfera terrestre. Após percorrer mais de 1,1 milhão de quilômetros ao redor da Lua, a cápsula Orion inicia o retorno com um mergulho controlado que exige precisão absoluta.

O ponto final da missão, conhecido como amerissagem (splashdown), está previsto para as 21h07 (horário de Brasília), no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos. Segundo informações da agência espacial, este é o trecho mais sensível de toda a jornada, onde qualquer variação pode comprometer o sucesso da operação.

Reentrada coloca cápsula à prova em temperaturas extremas

Durante a reentrada, a Orion atingirá velocidades superiores a 40 mil km/h. O atrito com a atmosfera gera um intenso calor, formando um plasma ao redor da nave e elevando a temperatura externa a cerca de 2.700°C.

De acordo com dados técnicos divulgados pela NASA, o ângulo de entrada precisa ser extremamente preciso, fixado em aproximadamente -5,8°. Uma variação mínima pode causar consequências críticas:

  • Se o ângulo for muito raso, a cápsula pode ricochetear na atmosfera e retornar ao espaço.
  • Caso seja muito íngreme, o calor e a pressão podem comprometer a integridade da estrutura.

Esse momento também é marcado por um período de silêncio nas comunicações. Conforme apuração, o plasma formado ao redor da cápsula bloqueia temporariamente os sinais de rádio, deixando o controle da missão sem contato direto com a tripulação por alguns minutos.

Escudo térmico é peça-chave após ajustes técnicos

O escudo térmico da Orion é considerado um dos componentes mais importantes desta etapa. Ele é formado por 186 blocos de material ablativo Avcoat, projetado para suportar temperaturas extremas enquanto se desgasta de forma controlada.

Após a missão Artemis I, que não teve tripulação, análises identificaram desprendimentos inesperados em partes do escudo. Segundo a NASA, ajustes foram realizados no design e na trajetória da reentrada, que agora será mais direta, reduzindo o tempo de exposição ao calor intenso.

A bordo estão quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. Eles se tornaram os primeiros humanos a orbitar a Lua em mais de cinco décadas, marco que reforça a relevância histórica da missão.

Operação de pouso envolve sequência precisa de paraquedas

A fase final da missão envolve uma sequência cuidadosamente programada para desacelerar a cápsula antes do impacto com o oceano.

De acordo com informações oficiais:

  • A cerca de 7.600 metros de altitude, ocorre a liberação da cobertura superior e a abertura dos primeiros paraquedas.
  • Em torno de 2.900 metros, três paraquedas principais, cada um com cerca de 35 metros de diâmetro, entram em ação.
  • Próximo ao impacto, airbags são inflados para estabilizar a cápsula na água.

Essa operação reduz a velocidade da Orion de aproximadamente 500 km/h para cerca de 27 km/h no momento da amerissagem.

Equipes especializadas da Marinha dos Estados Unidos já estão posicionadas na área de resgate, com apoio de helicópteros, mergulhadores e o navio USS John P. Murtha. A expectativa é que os astronautas sejam retirados da cápsula em até duas horas após o pouso.

Segundo informações divulgadas pela equipe de recuperação, os principais pontos de verificação incluem a abertura completa dos paraquedas, a segurança estrutural da cápsula e a possibilidade de acesso pela escotilha.

Caso a operação seja concluída com sucesso, a missão Artemis II servirá como base para as próximas etapas do programa lunar, incluindo futuras tentativas de pouso na superfície da Lua. A operação segue sendo acompanhada em tempo real por equipes técnicas, enquanto o retorno da cápsula marca um dos momentos mais aguardados da exploração espacial recente.

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